Não quero que pareça um discurso interesseiro ou fútil,

muito menos desdém. Não tenho nenhum tipo de convívio ou de parentesco com essa pessoa, não sei o que acontece do portão da casa dela pra dentro, nem me interessa saber, na verdade. Mas eu duvido muito que uma pessoa como ela esteja confortável (veja bem, CON-FOR-TA-VEL) com a sua vida. Eu não me sentiria tendo sei lá, 19 anos e ter sido casada com um cara que tem o dobro da minha idade, sem estudo, sem futuro, num emprego onde o máximo que ele conseguiria chegar era no balcão da padaria. Mas ele tinha um carro. Razoável para um cara medíocre como ele, ranzinza e que achava que o asfalto da minha rua é uma das pistas de tarumã, e que meus vizinhos e eu éramos obrigados à ouvir as tentativas de musicas a todo volume no domingo pela manhã, porque exagerava tanto que nem as caixas de som do carro dele suportavam. Talvez ela tenha visto isso e por isso separou-se dele. Ela trabalhava numa loja. Razoável para alguém que se preocupava em ficar em casa cuidando do conto de fadas que ela tentava transformar a vida dela cada vez que num aniversario a gente trocava duas palavras e sustentando a mãe. Aí ela foi demitida, se separou do cara. Aí ela se envolveu com outro cara. Também o dobro da idade dela, três filhos de mulheres diferentes e com um carro que só acende um dos faróis, todo rebocado. Dia desses até reparei que o carro tem uma roda mais alta que a outra.
O que eu questiono não é de forma alguma o tamanho (ou o conteúdo) do bolso. O que eu não consigo entender é: porque uma pessoa se sujeita a ser um nada e parecer feliz. Ser MEDIOCRE, e não fazer nada visível para mudar. Foda-se o que o cara tem, mas o que a gente atrai é só o nosso reflexo. Eu me sinto ridícula por trabalhar para me sustentar e não conseguir pagar uma faculdade, e uma pessoa termina o ensino médio e acha que a vida ta pronta? Que realidade tão escrota é essa na porta da minha casa que é tão diferente da minha?
Sentir-se confortável como eu citei não é arrumar um cara bonito com dinheiro e um carro razoável. É seguir e ser seguida por pessoas que queiram evoluir SEMPRE, que aceitem a sua mediocridade mas que façam algo pra mudar isso, e que não se acomode em ser o que se é e ter que se tem. E não achar que um cara que paga três pensões e anda numa banheira é motivo pra arrotar file.
Talvez ninguém alcance meu ponto de vista.
"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho."

Apesar

de me considerar feliz com as coisas que tenho, eu não estou feliz com minhas ultimas escolhas. Hora de descer da escada e zerar o cronometro pra iniciar tudo de novo, e quantas vezes forem necessárias pra eu poder dizer de peito estufado que sim, eu SOU feliz.
A vida é cíclica. Preciso encarar isso de uma forma mais natural. Pessoas entram e saem da nossa vida o tempo todo.

Inegavelmente eu sou diferente de tudo a minha volta.

Diferente das pessoas com as quais eu convivo, dos gostos, dos pensamentos. E pode não parecer, mas eu tento me adaptar. Tento ser flexível, tão flexível ao ponto de desistir em alguns momentos de mim. Ser o que esperam que eu seja: igual.
Não sei o quanto vale a pena me adaptar e ME deixar de lado pra poder fazer parte de tudo.
Eu sou uma pessoa individualista, solitária e egocêntrica. Essa coisa de mudar meu mundo não deveria, em hipótese alguma, parecer uma escolha minha. Mas EU sei que é uma escolha (errada, diga-se de passagem).
Vou parecer uma imbecil dizendo isso, mas eu me sinto sozinha. E essa impressão não tem a ver com as pessoas que me cercam, e sim com as atitudes que eu tomo. Tentar me adaptar me transforma numa pessoa estranha, no meio de todo mundo, e quando resolvo tirar a fantasia o resultado é sempre o mesmo: ninguém divide os mesmos gostos.
Portando, hora de sair dessa festa a fantasia.
O que determina um novo começo, é a imposição do fim.
Fim.
Começo a me refazer novamente.
Começar de novo, de novo, e quantas vezes necessárias forem pra eu me sentir feliz, sozinha ou não.

sobre relações superficiais.

Sou a favor delas. Não são falsas, só não são profundas. E a profundidade que eu me refiro não tem absolutamente nada a ver com verdade, tem a ver com simplesmente não envolver-se a ponto de misturar as histórias e a vida com outra pessoa. Superficialidade, no meu caso refere-se muito mais a não expor o que eu sinto, como eu sinto. E sim como é aceitável aos ouvidos das pessoas. Na verdade é que eu sou uma ótima ouvinte, gosto de ouvir as pessoas contarem das suas histórias, dos seus pensamentos e dos seus “achismos”, só não gosto de intervir nisso: opinar e narrar minhas histórias. Eu conheço muito bem elas, e não gosto, nem tenho interesse em opiniões alheias sobre isso. Por isso prefiro a superficialidade, meu melhor conselho é sempre onde eu digo o que a pessoa espera ouvir. Não quero me interar do – na maioria dos casos – problema de outra pessoa e ajudar a resolvê-los: tenho problemas próprios, às vezes nem tão grande, nem tão complexos, mas cada um dá ao problema o tamanho da atenção que quer receber.
Resolvo os meus.
E por causa dessa forma de ver as coisas, acabo pagando por isso. A gente sempre vai pagar por escolher o que é obviamente mais fácil.
Me sinto muito mais a vontade em falar meus problemas aqui. Tu pode até opinar, mas não tem a mínima idéia da dimensão da coisa, e eu não saberei da tua opinião sobre.
Como eu disse: a gente dá o tamanho que quer para os problemas e eu não estou disposta à me aprofundar num problema pequeno. Seria quase como mergulhar numa piscina rasa.

abre aspas

Esta bem, eu admito.
Todas essas acusações são verdadeiras. Eu tentei disfarçar - e por muito tempo eu consegui. Mas confesso que foi fácil: em todos os momentos eu não precisei do que me foi dado. Logo não senti a falta, nem remorso por rejeitar. Dessa vez não teve como evitar: era tudo que eu não queria no momento em que eu mais precisava.
Não sei se por ironia, descuido, azar ou era o momento. Pudera, não ficaria tanto tempo renegando o que me é dado. Só não consegui entender se a intenção com que foi dado foi a mesma com que foi recebido.
Dessa vez eu sou completamente culpada; concordo e assumo: falhei na minha incrível arte de não me apaixonar. Percebi de onde vem a teoria de ser do coração que saem os sentimentos: o peito dói de imaginar em decepcionar.
Eu, piegas. Quem diria.
Bem, também não é tão difícil assim, vocês que me assustaram. Inventaram mil teorias sobre amores perfeitos, decepções e blábláblás. Me fizeram sofrer por antecipação, e o pior: acreditar que eu só saberia quando estaria amando de verdade quando sofresse por esse amor. Que teoria ridícula. Esse é a diferença entre a gente. Enquanto vocês precisam sofrer pra entender (ou achar) que amam, eu preciso ser preenchida, estufada de qualquer coisa que me faça sentir bem.
Como isso ainda não havia acontecido, rejeitava o que me preenchia pela metade - não sei ser quase alguma coisa. Quase conseguir, quase ter, quase amar.
E, justamente por isso, falhei.
Enquanto exercia isso, ele preparava tudo pra fazer com que eu falhasse. Nunca imaginei, nunca pensei que justamente isso me faria falhar.
Quer dizer, não sei se falhei. Talvez esteja me precipitando em admitir, e o pior.. confessar. Não fui completamente preenchida. Não acreditei completamente nisso ainda. Talvez esteja quase lá.
Droga, falhei de novo.
Fecha aspas.

Musica pra mim

é bem mais significativa do que pra grande maioria das pessoas que eu conheço e convivo. O que me faz parecer na maioria das vezes um et. Eu não sei explicar porque, nem quando surgiu, nem se é normal. Só sei que musica me faz um bem, que eu não sei nem explicar. Eu levo a sério. Não tenho essa coisa de ser livre de preconceitos: o que eu acho ruim eu acho ruim e ponto final. E quando eu gosto, gosto de verdade. Gosto a ponto de em um show, chorar só por estar ali. Querer acompanhar a vida dos músicos, querer fazer parte, homenagear. Quando eu gosto ou sou tiete, e não me envergonho, não. Ta bem, na verdade fui apenas uma vez, e fui muito fã. Me desdobrava pra ir aos shows – que sempre foi uma dificuldade. Mas ia e me emocionava. E, o fato de eu levar tudo isso tão à serio como mencionei no inicio fez com que eu deixasse essa tietagem, essa paixão e, porque não, essa obsessão que eu tinha por uma banda de lado. Não deixei de gostar, nem de admirar. Só deixei de ver com os olhos que eu via. E o principal motivo foi não ver a novidade neles que eu via antes. Passar à ir em shows e enxergar a mesma roupagem das musicas, as mesmas musicas, a mesma banda. AOS MEUS OLHOS a mesma banda. Sem crescimento, sem evolução. Tem gente que não concorda – a maioria dos fãs, mas pra mim era uma banda que tava vivendo de passado. Vivendo do que já produziu, do que já cantou, DO QUE JÁ SENTIU. Quatro anos sem lançar um cd pra mim é um período inaceitável. Uma banda que não produz mais, que vive do que já fez não tem porque existir: aquilo ali todo mundo já conhece. Eu espero dar com a língua nos dentes, e me contrariar mais uma vez. Ver que, mesmo com esse período de ‘escassez a banda ainda é de verdade. Eu nunca neguei que mudo de ideia fácil, e gostar tanto assim de novo da banda não é difícil: eu só preciso ver que é de verdade ainda. Que eles acreditam tanto naquilo quanto eu já acreditei e tanto quanto os fãs acreditam. Criar, mostrar que esse amor que eles recebem é recíproco. E a única forma de demonstrar que o amor é recíproco e não deixando ele morrer. Eu vejo uma nova fase agora: Cd de inéditas sendo gravadas, as musicas com a cara da banda, tentando voltar à ser o que era. Só não pode tentar imitar o que já foi. Talvez – TALVEZ – eu nunca mais veja da forma que eu os via, e continue acompanho tudo de fora. Por vários motivos, mas o principal e que eu olhei de fora, e de fora perde toda a graça. E agora eu não sei mais como é o outro lado.
Viu como eu levo a musica a serio?

Duas coisas simples: um balão e um pouco de ar.

Se você não soprar demais, ele não estoura, ah não ser que você force isso. E se não souber segurar, ele voa porque é leve. Se você soprar demais ele, aí sim ele estoura e espalha todo ar que com um pouco de esforço você colocou nele.
Talvez essa seja uma metáfora bem representativa sobre sentimentos e razão. O balão é a racionalidade, e o ar a passionalidade. Uma proporção bem desigual, mas muito favorável. Fato é que só não é evidente o “ar” desse balão, porque a gente não enxerga ele, só o balão que costuma ser em cores vibrantes. A gente sabe que o balão esta cheio, mas nem lembra que o que tem dentro é… ar. Ele parece ter aquela forma, ter sido feito daquela forma, e não desenhado pelo tanto de oxigênio que tem lá dentro. E nesse caso, como ainda não teve ar suficiente para estourar, ele ficou preso.
A emoção dentro da razão.
O balão é uma metáfora perfeita.
Desde sempre, pelo que me lembro, sou forçada a ouvir teses sobre minha suposta falta de alguma coisa relacionada à amor. Talvez essa seja uma explicação bem razoável.

Era uma coisa bem estranha,

só de pensar aquilo estufava, enchia de uma sensação diferente de tudo que tinha sentido. Era uma mistura de vontade de rir, vontade de chorar, preocupação e uma saudade instantânea. Arrepiava e ao mesmo tempo deixava flutuando. De repente um nervosismo, uma vontade louca de sumir e uma vermelhidão. Toda vez era isso, esse mix de sensações. Algo que por mais detalhista que fosse, nunca conseguiria descrever. Todos os romances que tivera, não chegaram à metade dessas sensações, eram tão superficiais perto desse. E esses sentimentos eram tão freqüentes que se tornaram um vicio. Precisava sentir aquilo, precisava viver aquilo. Tomar uma dose desse vício que nem se quer uma explicação tinha. No inicio era controlável, doses homeopáticas na hora de dormir, ou quando ouvia uma musica que a lembrasse dele. Depois era quase uma religião, precisava daquilo. Não, uma religião não, uma obsessão. Passava noites e claro vasculhando cada canto virtual da vida dele, odiava cada palavra de carinho que ele escrevia para outras pessoas, e interpretava todas elas como se fosse para ela. Apesar de ser louco, de ser platônico, e de ser patético, era de verdade. Era nobre e era sincero. Toda a raiva e toda a angustia girava em torno daquilo. Aquilo era realmente uma droga, uma obsessão compulsiva por uma projeção de coisas voláteis. Conhecia a família, por onde andavam, quais viajens planejavam, conhecia os amigos, as histórias. E isso tudo sem nunca ter visto nenhum deles, e nem ele. Na verdade ela nunca se quer trocou uma palavra com ele. Ele era simplesmente o que ela sempre soube que precisava: os gostos, o romantismo dosado, o sotaque e o olhar caído. Há quem diga que foi o maior de todos os amores – reais e irreais. Se é que se pode chamar de irreal isso. Por muito tempo conseguiu manter essa coisa, como descrevia, em silêncio. Mas aos poucos as mudanças de humor típicas de quem esta apaixonada foram ficando cada vez mais visíveis, ao ponto de levantar suspeitas. Mas ninguém conseguia identificar o que acontecia. Quando resolveu falar recebia em troca o silencio e logo após a sentença quase que unânime: tu ama o que? Esse amor não existe. E isso a destruía. Como pode não existir? Era a obsessão mais doce, mais sincera e mais viciante que tivera. E arriscava dizer ainda, que era o amor mais verdadeiro: o que não espera receber absolutamente nada em troca … até porque é um amor de ida sem volta- ele não tem idéia da existência dela e quatro estados os separavam. Ela na condição de corte, e ele de reino. Resolveu tratar essa obsessão com uma receita simples: um email, uma passagem de avião e uma vontade imensa de destruir o imaginário e tornar tudo real. Apesar de saber que aquilo era i impossível, ainda existia nela a esperança de que da mesma forma com que descobriu esse sentimento, ele sentisse a mesma tremedeira, o coração disparar, a vermelhidão e aquela coisa estufando o peito. Não custava acreditar que o impossível pudesse tornar-se realidade. E, pelo que ela havia descoberto sobre ele nas noites insones que vasculhava sua vida na internet, isso era o que mais lhe atraia em alguém. Tem como duvidar de um sentimento desses?

olha...

eu até que sou uma pessoa beeeem legal. Eu me disponho a fazer coisa contra a minha vontade (raras as vezes) pra ser legal com outra pessoa. o problema começa onde termina minha bondade e começa a má vontade alheia. má vontade no caso de admitir que foi sim um gesto legal, e que se não fosse tu talvez aquilo ali nem aconteceria, gratidão é uma palavra muito forte pra isso, mas é bem ilustrativo pra essa(s) situações. eu nem ia comentar, porque eu, diferentemente da pessoa em questão, não costumo pegar o chapéu de tudo que as pessoas falam por aí. tudo é motivo pra ter uma arriada, pra tentar mostrar o quão melhor que todo mundo é, porque é mais inteligente, tem mais personalidade, os amigos mais legais do mundo. coisa chata ter que ficar se afirmando por aí, e o pior: se afirmando só pela internet, porque no teti-a-teti é um rato de tão manso, PORQUE PRECISA SER ASSIM. e não é nem uma questão de falsidade, é uma questão de falta de personalidade mesmo. de ser um rato em tempo integral e querer parecer um leão. na verdade é bem isso, parecer um leão enquanto se é um rato. é muito feio se assumir, né?
fico puta com essas arriadinhas, e não costumo responder assim... mas parece que quer atingir o tempo todo. que ridiiiiiiiiculo isso. o pior de tudo é que ME FAZ não poder dizer isso diretamente, porque não me dá essa oportunidade... fica vasculhando o que eu faço, que eu falo, pra depois pagar de leão e ficar rindo.
tenho nojo de pessoas assim.

Ontem eu tive uma crise, bem forte.

Só tem uma coisa que me deixa destruída da forma como eu fiquei ontem: meu ego.
E ontem ele resolveu se manifestar. Resolveu me lembrar como eu sou uma piada, uma mentira, uma blindagem falsa. Ele resolve se manifestar pra eu acordar, quando fico perambulando por aí de olhos fechados, sonhando. É como se viesse uma outra pessoa por o dedo na minha cara e apontar todas as minhas fraquezas, todos os meus desvios. E eu escuto, atentamente tudo, tudo que meu ego fala.
O resultado é único: apesar de ele apontar o dedo e dizer que eu sou uma mentira, eu me sinto cada vez mais de verdade. É bom, tirando o fato de eu parecer, na maioria das vezes 'tripolar', porque ontem eu tive o inside do nada, fiquei triste, chorona, mau-humorada, chata. E hoje e to bem, leve, blindada de novo.
A conclusão que eu chego toda vez que eu tenho essas crises é que eu sou blindada mesmo, e a unica pessoa que tem a capacidade de ultrapassar essa blindagem sou eu mesma, disfarçada de ego.

"conhecimento nao é sabedoria,

 sabedoria nao é amor, amor nao é música, música é o melhor" Frank Zappa

A verdade é uma só:

...eu exijo o impossível das pessoas.
Exijo que estejam perto de mim, e que me ouçam tanto quanto eu as escuto, e exijo que me deixem a vontade pra falar tudo que eu sentir, e pensar. Exijo que sejam boas companhias prum show, ou pruma tarde num shopping qualquer, ou numa praça, ou no quintal fazendo nada. Exijo que tenham humor, exijo que sejam criticas, que tenham personalidade e que se imponham, e não que sejam como a maioria.
Exijo que sejam únicas, na verdade nem precisa ter isso tudo que eu disse até agora, desde que sejam de verdade em tempo integral. E isso não é DIZER A VERDADE EM TEMPO INTEGRAL, porque isso também não seria SER de verdade.
É mentir, é dizer o que se pensa, mudar de idéia, mais errar do que acertar e não achar que é bom e que acerta all the time, não se preocupar no que vão pensar se tu for pra balada e não pegar ninguém, admitir ser quem é, e não tentar ser quem as pessoas pensam que é. É só ser de verdade, e não esperar ser como os legais são. Só.
Eu sou exijo demais, essa é a verdade.

Ela

Ela não aguentava mais. Tinha resistido por muito tempo, tentou de muitas formas e nada. Agora sentia-se cansada, impotente e um tanto quanto culpada diante da antiga constatação: a maioria dos seres humanos lhe eram incompreensíveis. Por vezes não lhes entendia a fala, o raciocínio, o jeito que levavam a vida. Para Ela, eles eram completos estranhos. Quando deparava-se com questões comuns e percebia que seus sentimentos e forma de encarar as coisas eram completamente distintas dos demais, sentia-se só. Devaneava a respeito de ter vindo de outro lugar, de pertencer a outra raça. Essa percepção lhe ocorrera havia muito, mas Ela não queria acreditar. Durante a maior parte de sua vida tentou reverter essa sensação. Observou atentamente como eles agiam, e passou a imitá-los. Não era difícil. Aprendeu tudo, e sorria na hora em que devia sorrir, dizia as coisas que deviam ser ditas, procurou comportar-se exatamente como eles para não chamar tanta atenção. Sabia a hora do comentário correto, sabia quando dizer “graças a deus”, mesmo não tendo certeza que deus era aquele. As normas de convivência que lhe foram passadas eram muito antigas e pertenciam àquele povo desde o começo dos tempos, e todos as seguiam sem titubear. Era assim, e pronto. Certa vez, cometeu o disparate de fazer perguntas. Diante da hostilidade e da surpresa alheia, Ela se calou. Teve medo. Medo de ficar sozinha, de ser banida, de estar errada, de ser julgada e condenada culpada por viver diferente. Sufocou a própria perplexidade e viveu assim durante um bom tempo. No fundo, sentia pena. Olhava para aquelas pessoas e os via tão pequenos, mergulhados em questões superficiais, tão mais preocupados com a aparência e a vida do próximo do que delas próprias. Achava que perdiam tempo. Sofria por vê-los tão ignorantes, sem curiosidade, sem vontade de aceitar ou buscar o novo, apáticos, admitindo cegamente tudo que lhes era imposto. Não entendia porquê julgavam-se uns aos outros tão ferozmente, sempre prontos a apontar o dedo ao mínimo indício de falha alheia e pior: na grande maioria das vezes falavam sem saber, simplesmente presumiam com base na parca bagagem que tinham. O mais estarrecedor de tudo é que pareciam idiotamente felizes. Tinham ambições comuns e eram formatados para isso: nascer, crescer, casar e procriar, buscar estabilidade financeira. Um belo carro, uma bela casa, um belo corpo. Os que alcançavam esses feitos eram considerados vencedores. E depois morriam, e outro deles nascia, e o ciclo continuava interminavelmente. Entre esses, alguns por vezes se mostraram mais evoluídos: apesar de toda a formatação que haviam sofrido foram mais a fundo, questionaram, e compreenderam a mediocridade humana. Esses escapavam. E Ela realmente acreditou que tivesse encontrado um jeito de viver entre eles. Até agora. De repente Ela se pegou andando pela casa, aflita, murcha. Sentia-se como uma bomba relógio prestes a explodir. Já estava impossível continuar fingindo, e aceitar aqueles pequenos humanos se tornou uma tarefa mais extenuante do que o normal. Era o limite. Mergulhou num enorme conflito: que direção seguir? Sim, estava tudo calmo porém muito sem-graça, Ela sentia-se sendo minada aos poucos e achava que a qualquer momento iria simplesmente se apagar. E Ela sabia que era fogueira demais pra se deixar virar fagulha. Decidiu abdicar da calma. Passou a buscar os seus iguais, e lentamente ao longo da estrada os foi encontrando, um a um. Nesse momento não eram muitos, mas eram os dEla. Aqueles ali a entendiam e partilhavam das mesmas convicções, viviam de forma parecida. Depois descobriu que nunca seriam tantos, não era pra ser assim. Existia a maioria, e existiam eles. Enfim, um pouco de paz. Continuou convivendo com aqueles humanos tão estranhos, mas reservou para si e para os seus as suas partes mais vivas porque necessitava ser compreendida. Fechou-se para a pequenez dos demais e assim conseguiu, de vez em quando, ser feliz.

Fonte: Boteco da Pitty.

o preço

Por você ser de verdade, ser você, vacilar, voltar atrás, mudar, dar a cara a tapa e não sentir culpa. Sair desse terreno seguro e pisar onde não tem ideia de qual será a estabilidade (e se terá)...
...é caro, mas é o preço de não ficar se escondendo de você mesmo, do mundo e buscando uma aprovação inutil.
É o preço de viver de verdade, e não de querer mostrar que se vive.

resumo.

Embora eu acredite e goste muito da versão real da história, essa fantasiosa me agrada muito mais. Nela, a versão real tá distorcida e os personagens com suas histórias trocadas: a mocinha que sofreu por amor calada e que lutou contra o sentimento pra não estragar o raso laço que tinha com o mocinho trocou de personagem com ele. Ele é que sentiu e ela nem percebeu isso. Ele é que queria, e ela nem notou. Embora eu acredite na versão real, a versão alternativa é bem mais atraente. Tá, na verdade é fantasiosa demais. Eu sei direitinho onde começou a espalhar essa versão da história, e mesmo assim fica a dúvida entre o que o autor escreveu, e o que uns leitores distraídos entenderam. E, mesmo assim rola um pingo de esperança que seja real mesmo. Porque não? Um descuido no que eu li, pode ter feito com que eu interpretasse da forma que me convinha: a mocinha é uma babaca, alimentou um troço que não existe, nunca existiu e acreditou nisso. Posso ter interpretado dessa forma por preguiça de ler as entrelinhas e de me aprofundar nos longos diálogos que os personagens tinham. Também, pudera. Alguém que quer sentimentalmente algo, e luta incessantemente contra isso, não se interessa nos próprios benefícios. E ela fazia isso por medo. Tem outra explicação? E além de tudo isso, no capítulo seguinte da história, ela fica tentando acreditar nessa versão alternativa que muita gente acreditou e encontrar alguma brecha na realidade, pra infiltrar a versão fantasiosa que alguém teve a genial ideia de inventar. Ás vezes eu acho que essa mocinha tem vida própria. Embora eu acredite e goste muito da versão real da história, essa fantasiosa me agrada muito mais

Eu sei, com maestria, como errar. Em tudo.

Mas, o problema não é exatamente esse. O problema é saber concertar tudo tudo que eu faço de errado.
Não deveria ser o problema, eu sei. O problema é eu nunca arriscar em deixar errado.


O problema era nunca arriscar em deixar errado.


Já falei muitas vezes sobre, já pensei e até já escrevi sobre. Embora eu não me preocupar com o que os outros PENSEM, eu me preocupo em como vão reagir.

Mas sei lá, curto esse lance de chocar pessoas.

Eu sou duas na verdade. Eu e meu ego. Um fala a verdade, um mente. Um acerta e um erra. E eu to abandonando um deles.

manias, manias...

Eu tenho duas manias quase que insuportáveis.
A primeira é sempre ceder quando se trata de amizades: Ser a primeira a pedir desculpas, ser a primeira a ser falsa e dizer que tá tudo bem e achar que de fato com essas atitudes vai ficar tudo bem. Ler as entrelinhas que não existem e me afetar ou simplesmente ser indiferente à tudo e fingir que eu sou extremamente superior ás coisas que acontecerem. Ser a amiga legal, a boa ouvinte pensar um monte de coisas e quase vomitá-las pras pessoas e na hora guardar, porque eu sei que vou magoar a outra pessoa (e isso não é algo exclusivo para meus amigos, anyway…). Talvez esse seja o grande erro… É piedade demais, medo demais de machucar, quando o que eu realmente devo fazer é apunhalar MESMO que eu saiba que vai doer mais em mim. Isso sim faria parte do que eu quero ser. O (grande) problema é que eu sempre sei o que fazer… o certo na hora certa, mas aí eu cedo por achar que aquela amizade realmente faz diferença pra mim. E de fato… realmente faz (ou fez, ou fazia, ou fará, ou faria). Só que, como eu tenho uma ideia do que é ser AMIGO(a) diferente do que as que as pessoas das quais eu costumo me aproximar têm, eu acabo sendo amiga sozinha, e isso me causa síncopes. Quando eu percebo que eu não tenho o que eu quero de volta, eu desisto. Aí eu costumo afirmar que a minha melhor amiga sou eu, porque eu sei o que me dizer, na hora que eu quero ouvir, e (ás vezes) consigo ser minha amiga.
A segunda mania irritante é pensar nisso.

consciencia sentimental

Um casal abraçado na minha frente e foi aí que, subitamente, tive uma crise de consciência sentimental. Minha mãe certa vez disse que eu não tinha sentimentos, era seca deles. Coisa que eu não acreditava, até então. Até então. Juro que foi algo que eu não esperava sentir, ou pensar.
Sentir.
Um vazio e uma voz, que parecia extremamente incoerente, sussurrava uma certeza da qual eu não tinha mais: Tu realmente não precisa de alguém? Instantaneamente o casal apareceu novamente a minha frente, apaixonados e felizes, e eu me perguntei por quanto tempo. Essa coisa de negar sentimentos já ficou encruada, impregnada, entranhada.
Essa falta de sentimentos é algo, obviamente, opcional. Só que, como toda a escolha que eu faço, uma hora seria questionada por mim mesma. E a certeza que eu tinha, de novo acabou.
E eu nem sei mais o que pensar. Ainda bem que essa voz se calou, no mesmo instante em que se manifestou.
confuso?

eu precisava,

  faz tempo que me prometia uma mudança interior, e consegui, E isso ta começando a refletir exteriormente. começando…

As pessoas tem que cuidar

pra não se tornarem substituíveis rápido demais. Aliás pessoas tem que cuidar para não substituírem as coisas rápido demais, porque nessa ânsia de trocar o velho pelo novo, nem sempre a gente escolhe a novidade certa. Nem toda novidade é concreta, nem toda novidade é solida. Ela engana até a gente acreditar que pode confiar cegamente nela, e aí ela te substitui.


É regra. Todo mundo vai ser substituível, todo mundo vai substituir. Todo mundo vai trocar uma velha resposta por uma pergunta, e permanecer na duvida.


Eu me adaptei por substituir o tempo todo as pessoas. E nunca é uma escolhe minha.


"mandar os problemas e geral tomar no cu"