Para não sofrer eu vou me drogar de outros,

eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

Tati Bernardi

Parágrafo ÚNICO

Eu que reclamei aqui de medo de não ter tempo. Pois bem, tenho tempo de sobra agora, mas não posso fazer nada com ele, a não ser esperar ele passar, e ele faz isso do jeito que quer. Corre e fica lento na mesma velocidade, no mesmo tempo. Passa voando e se arrasta quase junto. Não dá nem pra distinguir quase quando corre, quando voa, quando arrasta, quando trava e quando para de vez. E ele para às vezes – quando trava é barbadinha, me viro. O pior é quando ele para... tipo agora. Uma hora falta muito, muito, muito pra eu ir embora e começar logo esse tratamento, outra é pra já, pra ontem, tchau. Daí já fico sem saber nada. Eu já não sei mesmo muita coisa, mas sei que tem situações diferentes por aqui que, dependendo do ângulo, são mais complicadas, mais delicadas, menos sérias. De todas as formas. A gente sabe cada história que deixa a esperança lá em cima: se essa pessoa passou por tudo isso e tá aí, por que eu não passaria pelo que tenho que passar? Só que ao mesmo tempo a gente VÊ o que acontece por aqui. Qualquer doença é ruim, desde uma dor de cabeça a um câncer. É um incomodo, desconforto e bla bla bla. A gente só não pode tentar entender quais são os critérios que levam o destino, a vida, Deus, ou seja lá o que determina aquela pessoa ter que passar por uma situação assim. Não tem explicação plausível o suficiente pra conseguir traduzir ou decifrar por que alguém merece sofrer dessa forma, pra sei lá, aprender alguma coisa. O que eu vejo por aqui com quem eu conversei até agora é que ninguém procura entender, as pessoas querem se ver livre do medo e da sombra da doença que desde a descoberta até o final do tratamento acaba com o paciente. É assustador em alguns casos, mas ao mesmo tempo é incrível a força que a gente arruma pra não se abater com o que se ouve falar e principalmente com o que se sente – por que se sente demais... não físico, comigo pelo menos, mas fica tudo confuso. Eu sei que eu ainda não passei nada perto do que esta por vir, sei muito pouco ainda do que eu tenho, mas o veredito esta dado: vou sim passar por quimioterapia, vou ficar careca, minha imunidade vai baixar e eu sei que eu não vou segurar sempre assim, mas enquanto eu puder não lidar tão fundo com tudo isso, isso sempre vai ser minha primeira opção. Não lidar é, pra mim, a melhor saída. Me ocupo pensando em qualquer outra bobagem e no quanto ainda assim poderia ser pior, no quanto as coisas estão se encaminhando bem, dentro do que é possível dizer que se esta bem. Eu sinto que eu ainda tenho bastante pra suportar, tenho gente que vai suportar e ir junto. Obviamente que se eu pudesse escolher, nem queria ver quem eu gosto sofrendo comigo, e isso que me deixa exatamente do jeito que eu to: não deixar o que me atinge atingir da mesma forma quem ta em volta. Mas é muito bom sentir que as pessoas querem te ver melhor, dizendo uma coisa, torcendo, mesmo que superficialmente, pela tua recuperação. Isso é muito, muito massa. De verdade. Eu sei quando é sincero, sei quando é curiosidade, sei quando é preocupação e principalmente quando é especulação. Eu sinto tuuuuuuudo isso, mas finjo que não percebo. Faz parte. Eu fico lendo histórias pela internet de gente que passou por um tratamento assim, sem nem deixar as pessoas à volta notarem que estava passando por isso. INCRIVEL!!!!!! E é aí que me refiro: não quero que isso mude tudo na minha vida. Quero passar logo logo e deixar isso registrado aqui. Parágrafo único sobre. O máximo que eu quero escrever sobre isso é isso. Claro que eu vou sentir tanta coisa que inevitavelmente eu vou falar sobre o que eu to sentindo, como sempre escrevi aqui... mas aqui só dez por cento é verdade, não posso me dar o luxo de mudar tanto. Fato é que isso que eu to passando e o que ainda esta por vir mexem com as emoções, com o sentimento, com o amadurecimento... e deve ser aí o ponto alto da experiência. De tudo, tudo, tudo a gente precisa tirar um proveito, pra encarar as coisas melhores, e eu pretendo tirar o autoconhecimento. Não queria ter essa história exatamente pra contar pros meus netos, bisnetos e o caralho a quatro. Mas não terei só essa, certamente. Então preciso de algum fato bom disso tudo... não?

Conhecer o seu limite e entender que nem por que se sabe onde é, se permite ir até ele.

Olha:

Eu nunca vou me importar em contar o que se passa comigo. Acho que ninguém nunca percebeu isso. Só não me sinto a vontade em passar BOLETIM de ATENDIMENTO pras pessoas. Se eu quero saber alguma coisa de alguém, VOU ATÉ ELA PERGUNTAR. Comigo funciona assim. Não tenho pombos correios pra espalhar noticias muito menos canal de mídia pra divulgar. Se interessa, me pergunta. Se eu sentir sinceridade não vejo o menor problema em contar o que se passa comigo. A minha vida toda foi assim, só faltaram pessoas interessadas em saber, ou faltou assunto pra isso. Isso serve pros meus amigos que não vem me perguntar o que acontece e perguntam pra outras pessoas e pra quem quer só bisbilhotar e ta cagando pro que acontece, mas precisa de assunto no busão.

Nem sei o que eu to sentindo,

só sei que eu to sentindo. Muito. Isso também não é novidade. Não sei ser superficial com o que eu sinto. Tem que ser tudo agora, pra já, forte, intenso. Sempre foi assim, mas eu sempre lidei muito bem, até porque nem todo mundo é assim, as pessoas gostam de viver na superfície e não nos extremos... pra mim tem que tocar no fundo, tem que me mover, me fazer ficar afim de sentir e sentir tanto a ponto de querer parar de sentir. Se não, nem quero, passa batido e eu nem ligo. Agora eu to sentindo tanta coisa, tudo misturado, que eu fico mais confusa que o normal. Não sei o que pensar nem de quem pensar. Só sei que eu to no extremo. To no fundo. Auto conhecimento da porra esse. Forçado, válido. Nem sei ainda o que eu vou passar, como vai ser nem o que me espera, mas eu sei que tem muita coisa me esperando. O melhor de tudo é SENTIR que o que bate em mim, reflete em volta e que TEM gente que sente comigo porque QUER, porque atinge também. Isso NÃO TEM PREÇO. De verdade. E eu preciso de mais. Muito mais. Mas eu não preciso pedir. Eu não preciso lembrar, eu não preciso nem contar. Eu sei quem ta junto, quem ta perto, quem ta comigo mesmo com a distancia. LOUCO isso. Mas é lindo. LINDO.Continuem por que eu ainda preciso.

:’)

A vida meio que tira uma onda com a nossa cara.

Sabe quando da tudo tão certo e depois quando dá tudo tão errado que a gente até desconfia??? Uma sacanagem atrás da outra. Eu acho que o mais honesto que a vida poderia fazer seria uma alegria compensar o sofrimento de uma dor. Fazer com que a cada tristeza, tivéssemos uma alegria. Compensar o mal com o bem. Obviamente que isso também teria seu lado ruim: toda vez que acontecesse algo bom, a gente saberia que algo ruim estaria por vir, na sequencia, sem tempo pra se preparar. Ninguém quer tristeza, ninguém quer dor. Por mais que a gente saiba que tudo tem uma solução, a gente quer viver soltando balões, jogando confete, mesmo sabendo que isso nunca vai corresponder a realidade. Eu sei também que as coisas ruins fortalecem laços e tornam as pessoas mais fortes... eu diria até que define as pessoas. Só que esse sistema de ter tudo duma vez só me deixa muito desconfiada e apreensiva: o que é ruim parece que nunca vai acabar, e o que é bom parece mentira. Sou exigente? Nessas horas eu lembro da frase mais batida do mundo, mas que tem o maior significado também: “TUDO VAI PASSAR”; tudo de ruim um dia passa e as coisas melhoram, mas coisas boas também acabam e a gente precisa aproveitar muito. Significa, né?
você pode não entender se as vezes fio pelos cantos
um tanto quieta, recolhida, mergulhada no meu pranto
é que ele me libera na hora
no momento em que eu boto pra fora
o que já não me serve vai embora
e assim eu fico leve
pitty - água contida

Canção Pra Não Voltar



Canção Pra Não Voltar
A Banda Mais Bonita da Cidade
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste e morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver, pra quem não sabe amar
Não volte pra casa, meu amor, que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo, acabou o seu mar, acabou seu dia
Acabou, acabou
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que eu não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada
Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol


--

Pra ouvir e pensar; Cantar e sofrer.

o que a gente aprende com o destino?

Fico em duvida se, desta vez, o destino foi mais cruel ou se foi mais irônico em relação a nós dois. Nos manteve perto um do outro tempo suficiente pra que, quando você estivesse por perto, eu ficasse atrapalhada, sem palavras e ao mesmo tempo com as palavras erradas, tentando não parecer o que estava obvio no jeito que eu te olhava. Nem sempre eu consegui ser resistente o bastante para não deixar isso tão exposto; eu sei todos os momentos que tu percebeu. Não poderia ser tão palpável, tão real. Eu sentia muito, e sentia além do que pretendia, mas aceitava toda a ficção da história que eu creie. Além de ser algo pouco provável de acontecer, eu fantasiava demais qualquer tipo de relação que pudéssemos ter. Tomei todo cuidado necessário pra não deixar esse sentimento confuso sair da minha imaginação e interferir naquele ambiente perturbado que nos encontrávamos. Todo contato me deixava em dúvida... Nunca sabia se era o momento de deixar ser percebida, ou se deveria mais uma vez fingir que não te vi, passar por ti e ignorar tua figura ali, diante dos meus olhos e deixando meu coração palpitando. Era muita coisa pra eu lidar e não tenho a mesma frieza que você. Eu imaginava, sentia, fantasiava mas não acreditava. Não existia um elo, além do que eu criei. Obviamente esses sentimentos eram alimentados e isso me deixava atônita, aflita: não conseguia entender se existia realmente uma reciprocidade ou se era vaidade tua. E é aí que o destino começou a se revelar: do alto das minhas duvidas, eu fiquei incapaz de analisar qualquer gesto que pudesse esclarecer alguma coisa. A tua presença deixou de ser algo que me deixasse fantasiosa e passou a ser perturbadora, eu queria mas não conseguia ter uma relação de amizade sentindo tanto quanto eu sentia e antes que eu tivesse essa oportunidade o destino resolveu te tirar da minha rotina, dos meus olhos. Resolver essa questão me deixava tão ocupada que eu nunca pude perceber os sinais que recebia, e o destino acabou com todas as minhas duvidas deixando essa história sem um final (mais uma vez). Eu sei que essa foi a melhor saída, mas quando que a gente conhece o final das histórias de (quase) amor? Onde e quando a gente aprende com elas? Se ficam todas as duvidas com a gente, onde é que a gente busca as respostas?

Eu nem sei onde te (re)encontrar.

Tempo.

De todas as inúmeras coisas que eu tenho medo (que são verdadeiras bobagens), a que mais prende meu pensamento é o tempo: eu tenho medo que não dê tempo. Não de tempo de ir a algum lugar no dia marcado, que não dê tempo de comer algo que eu quero, que não dê tempo de ver uma pessoa que eu goste e estou com saudades, de não dar tempo de chegar na hora certa à aula, que não de tempo de executar o que eu tanto planejo. Eu não sei explicar exatamente do que é esse medo de não dar tempo, já até pensei se seria o caso de ter medo da morte talvez - o que explicaria não dar tempo de fazer alguma coisa – aquela velha máxima de que a vida é curta. Mas não é, não é o medo de acabar tudo de uma hora para outra. O medo é o tempo acabar e eu não ter feito o que eu tanto queria. Medo de não fazer o que me deixa bem, me deixa feliz e dá sentido pra que eu exista e insista em mim, que me faz seguir. Medo de não me realizar. Isso é o que mais me assombra. Os outros medos eu lido muito bem: todos têm solução. Esse não. Nesse caso eu até posso dizer que tenho medo de morrer, mas é um caso bem específico: tenho medo de morrer antes que dê tempo para eu me tornar uma pessoa completamente realizada.

Feita de Papel - Megh Stock

Sempre preciso de mais
Essa coisa não tem fim
Pra quem não encontra a paz
Como eu que nunca admiti ser fraca
E não consigo ir para casa
Mesmo quando estou cansada

Nunca digo a verdade aliás
Sei que o meu discurso já não cola mais
Chega uma hora em que pra mim tanto faz
Então só penso em correr atrás
Porque pouco já não satisfaz

http://letras.terra.com.br/luxuria/944959/

Se eu parar pra analisar

alguns aspectos da minha vida eu vou, mais uma vez, concluir que eu vivo uma eterna batalha contra mim mesma. Isso porque eu sempre quero ir um passo além de onde eu impus meu limite... avançar e avançar. Acho isso bom porque é como se eu sempre superasse meus objetivos: ultrapasso o que eu achei que fosse impossível. Aliás, isso é positivo até o momento que eu ultrapasso a linha do “avanço” e, sem escalas, paro na obsessão... fico obsessivamente querendo buscar o que eu acho impossível e querendo passar por onde eu sei que não dá; não que eu não possa passar por que é impossível ou inacessível, não poderia porque de alguma forma eu vou me agredir com isso. E assim começa a luta... eu sei que vai ser penoso, mas não consigo admitir fraqueza, sabendo que eu posso demonstrar caso queira, porque essa fraqueza já é muito além do que o que outra pessoa suportaria. Em tudo eu preciso me provar que eu consigo ir além do que o que eu determinei que fosse o limite, mesmo bradando que eu nunca preciso provar nada pra ninguém. O mais curioso disso, é eu não consigo me enxergar agindo com a mesma clareza na qual eu vejo isso, pra consegui mudar essa postura megalomaníaca que eu resolvi ter, por tanto tempo.

Só que eu acho que, definitivamente, eu cansei de conseguir suportar tudo.

"De vez em quando a gente tem que reconhecer que o mundo fica chato. Que as coisas ficam sem graça. Que fica tudo um saco mesmo. Porque a gente cresce o tempo inteiro com essa história de que os melhores estão sempre alegres e não se abalam com as adversidades da vida. Resignam-se, suportam tudo. Que as pessoas admiráveis não choram e não sofrem de melancolia. “Você é forte!” eles dizem. “Mas olha, como ela é guerreira!”. Todos querem ser de rocha, mas até os guerreiros surtam um dia. E que se foda. Que a gente se permita surtar, para então não enlouquecer”

"Bom mesmo

"Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia pois o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante." (Charles Chaplin)

E tem uma voz na minha cabeça que fala sem parar: "Todo mundo tem um limite. Se passa dele tu vira uma mentira. E aí?... assume teu limite. Não é tão ruim assim." Mas, curiosamente, eu não quero cala-la.

agridoce

Em plena madrugada o frio, um filme, o edredom e ele e o assunto fica arriscado. Comentou-me sobre seus antigos amores, e me pediu que falasse dos meus. Parei e pensei... não lembrei de um amor. Lembrei de inúmeras paixões, casos e romances, mas no âmbito amor deixei a desejar. Foi triste perceber que, enquanto ele fala dos seus amores, todos doces como nos filmes, eu tinha apenas paixões para comentar... Mas eu tinha algo a meu favor: ninguém havia despertado o meu amor, ele poderia se quisesse e conseguisse, por que estaria acostumado a viver dessa forma. Fiquei confusa, por um momento: com tantos amores que ele teve, por que estava sozinho? E por que, escolheu a mim, que não sei amar direito, pra tentar de novo... Ele, vendo minha confusão instantânea responde, sem que a ele eu tenha perguntado: cansou-se de amores doces e infinitos, queria algo que fosse intenso e que parecesse que a qualquer momento poderia acabar mesmo sabendo que poderia não ter um fim.

Pela primeira vez na minha vida

eu preciso admitir com toda a sinceridade que eu consigo carregar e todo teor de drama que eu consigo criar – e que não foge a realidade: ta tudo errado. Tudo. Mas ta errado porque eu faço as escolhas erradas. Escolho o momento errado de cuidar de mim, o momento errado de gastar, o momento errado de engolir o orgulho e continuar e o momento errado de deixar o orgulho me atropelar e me esmagar. Tenho uma grande aptidão em tomar pequenas, porém decisivas, atitudes erradas. Tudo na vida é uma reação em cadeia: o todo afeta tudo, o tudo afeta o todo. Nada tem pouca ligação com nada. Preciso cuidar de mim na hora certa: agora. Preciso pôr prática decisões que havia tomado antes e organizar o pequeno e turbulento caos que eu consegui instalar na minha vida. Só preciso descobrir por onde começar... No auge do meu drama eu até cogito a possibilidade alguém ter posto meu nome da boca do sapo, na encruzilhada ou sei lá o que, só pra tirar esse peso de mim, mas eu sei: a culpa é toda minha. Em poucos meses eu baguncei tudo na minha vida e consegui ficar, desesperadamente, sem porto algum. Não sei nem por onde começar, porque eu tenho um grande problema com isso: eu gosto de viver nesse caos e estou, da pior forma que eu conseguiria encontrar, aprendendo a lidar com isso.

Congrats, Grazielle.

Eu sei

que a gente não deve julgar ninguém pela aparência, nunca. É preconceituoso e a idéia quase sempre é erronia. A primeira imagem é sempre bem distorcida. Sou mestre nessa arte. Vejo a imagem, conceituo conforme eu acho que deve ser e CHAZAN... dou com os burros n’água: a pessoa sempre é melhor do que o que eu IMAGINAVA. A gente cria muita expectativa quando faz algo novo ou quando conhece pessoas novas e se frustra quase sempre. É quase impossível atender as nossas expectativas. Não as outras pessoas atendê-las, mas a gente mesmo atender isso. A gente cria uma expectativa de conhecer gente inteligente... como a gente, que gostas das mesmas coisas que a gente e costume ir nos mesmos lugares. Se vista da mesma forma e pense da mesma forma, goste das mesmas comidas, ouça as mesmas músicas... que seja quase a gente. E, é obvio, se frustra. Elas são completamente elas, e esperam que nós sejamos como elas. Ciclicamente. Isso acontece comigo sempre. Eu sempre imagino como vai ser antes de ser e decreto que seja daquela forma, que nunca vai ser. Daí, chega lá e... pronto: aprende a respeitar as diferenças, as individualidades, as chatices, as mesmices, os clichês, os legais e os iguais. Aceita e entende as pessoas que agregam. Quem não dá pra criar amizade, cuido pra não criar inimizades. A velha política da boa vizinhança, que sempre dá certo. Não consigo entender gente que, por não ser igual, ou por ter uma aparência diferente, se acha superior. Acho isso completamente BURRO e IGNORANTE. Todo mundo agrega, em algum momento, em alguma coisa, nem que seja uma vírgula numa linha. Pensar que alguém goste de ser separatista e radical ao ponto de só querer por perto os que são iguais me faz entender porque existe tanta gente solitária no mundo.

Intimidade é uma merda.

Dar liberdade demais pra que uma pessoa se torne intima ao ponto de poder opinar sobre as minhas coisas me assusta. Eu mudo de ideia como quem troca de roupa, e isso me deixa vulnerável às pessoas lembrarem de qualquer coisa que eu disse que nunca faria e que passei a fazer. Eu não acho isso errado, mas as pessoas adoram apontar esse tipo de coisa. Meu pai que sempre me dizia: “essa história de 'unha e carne' não dá certo...”. Ainda bem que eu sigo o conselho. Tenho grandes amigos, mas nenhum é o melhor amigo, desses que dizem saber tudo um do outro. Além disso conhecer demais uma pessoa faz com que ela perca a graça, fica previsível, chato, monótono. Afinal, tu conhece cada detalhe daquela pessoa. Prefiro as que eu não sei tudo, que tem mistério, e que preferem não deixar tudo evidente. Até por que... O que a gente faz depois que sabe exatamente tudo sobre ela? Essa história de trocar de ideia constantemente faz com que quando eu conheça tudo naquela pessoa, queira conhecer outra e aquilo que eu conheço de cor não me atrai mais. Eu nunca vou dar a liberdade de alguém ser tão intimo, assim como nunca vou querer ter essa liberdade com alguém. E eu acho isso justo comigo: eu prefiro descobrir uma pessoa, do que simplesmente conhecer.

Eu tenho pensado num monte de coisas.

Na verdade é a coisa que eu mais tenho feito. Não dá tempo de organizar tanta coisa na minha cabeça. E como a minha memória é algo entre a dóris e a dóris, do procurando nemo e do procurando nemo, respectivamente, perco tudo.

Mas eu tava lembrando de um video, e resolvi postar aqui.

PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA.

É isso.

Queda Livre - Cascadura

♫ Sempre a primeira vez é mais difícil tentar sentir-se em paz, pensar em nada mais vendo-se cair, mas, ao invés de temer eu paro e penso: Outro jeito não há, já que eu tenho que estar solto a descer, o jeito é curtir a queda livre ♫

Assunto: ...

05h32 am

Uma página em branco. Isso foi tudo que eu consegui expressar durante horas... nada que eu dissesse traduzia o que eu sentia. Eu sei que, mesmo não concordando, o destino providencia as escolhas certas pra nós..um tanto dolorosa, mas eu sei que é assim que tem que ser. Duas vidas. Só. Essa coisa de virar uma alma só sempre me incomodou. Acho que realmente é melhor assim. Eu sou destinada a ser sozinha: não sei dividir, não sei ceder, e isso torna quase impraticável ter alguém ao meu lado o tempo todo. Não existe ninguém compreensível ao ponto de poder entender que eu sou sim a pessoa mais egoísta que conheço, sei muito bem e lido com isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Faz parte da minha conduta, meu erro de caráter, meu desvio de personalidade. Todas essas coisas que adoram apontar em mim. Eu entendo perfeitamente... é difícil a gente mencionar sem parar as coisas que gosta, ou as coisas boas em uma pessoa, eu mesma não saberia listar ou citar as coisas das quais gosto, mas sei uma por uma das que não gosto, inclusive em ti. Essas ficam bem mais evidentes. Não estou mal, pelo contrário. Eu mesma não suportaria viver comigo assim, do jeito que você queria. Boas férias de mim. Por que eu sei que não vai durar pra sempre, só até amadurecer. Lembra o que eu disse sobre o destino? ...

A moral não me ajuda.

Sou antagônico nato. Sou uma daquelas pessoas que são feitas para exceções, não para regras.
Oscar Wilde

Se eu contasse pra vocês

a novela que se passa na minha cabeça, certamente ficariam confusos... Um drama digno de troféu Sombreiro de ouro. Tudo milimetricamente calculado com a realidade, acontece tão paralelo que eu até confundo. Mas isso me dispersa totalmente dos meus problemas dispensáveis e fúteis, já que eles estão de férias. Me causam todos os sentimentos possíveis: do ódio ao amor. Dor de chorar, alegria de chorar. Choro de verdade, mesmo. De não conseguir parar. Sei lá, acontece. É muito esquisito, mas eu substituo as coisas ruins pelas boas e tudo fica bem. the gold sombrero goes to... Por isso que eu só conto o que parece acontecer, e não o que acontece. Talvez vocês me dissessem que eu preciso de analise...