Fraquejar...

Esse sempre foi um dos meus medos bobos. Sei lá, não me sinto a vontade admitindo que eu perdi porque fui fraca, acho ninguém se sente, na verdade. Não me permito fracassar, nem me sentir fraca, fico insistindo naquela coisa que me faz sentir que eu to errando, que é mais forte que eu e que me feria fracassar até que isso não seja mais um obstáculo. Obsessivamente. Compulsivamente. As vezes eu me permito por pra fora isso, mas é sempre muito breve perto do tempo que eu passo lutando contra mim mesma. Eu sempre fiz isso, sempre agi assim e não consigo por um segundo se quer imaginar uma solução pra essas lutas ridículas que eu traço contra mim. Queria poder conseguir parar de me testar nesse ponto, mas acho que é impossível. Eu não me deixaria desistir de ver até onde eu posso chegar.

Nunca me senti a vontade

de chorar na frente de ninguém. Quando eu sinto algo que seja tão forte que me cause o choro, eu me sinto vulnerável demais. Nos últimos tempos eu andei chorando bastante- menos do que foi preciso – e na frente de várias pessoas e eu percebi a verdade de por que eu nunca gostei de chorar na frente de ninguém: Não tem nada a ver com se sentir vulnerável. A gente fica vulnerável pelo que causa o choro, tanto que causa o choro, e não por que se esta chorando. Tem a ver com sentir que quem me vê chorar fica sem reação, sem saber o que dizer, sem saber o que sentir, o que falar. A gente enfraquece a outra pessoa chorando. Por isso eu sempre preferi engolir o choro. Além de ser desgastante, dar dor de cabeça e deixar o rosto inchado, chorar desata tudo que tem de ruim em mim. Limpa tudo, mas a sensação de desespero de ter deixado tanta coisa ruim acumular e deixar sair tudo de uma vez é terrível. Parece que não acaba mais, que eu não vou parar nunca de lembrar de tudo que eu acumulei e não desabafei no momento que aconteceu. Mas passa, e depois eu fico melhor, como todo mundo. Todo mundo faz isso, não é? Quer dizer, agora, por exemplo... deve ter alguém com os olhos doendo, o nariz escorrendo, a cara inchada e uma dor de cabeça sacana, como eu, dando um jeito de liberar essa coisa ruim que a gente insiste em guardar pra depois sabe-se lá por que. É coisa de louco mesmo... guardar coisas ruins, acumular e esperar o momento pra desaguar isso tudo num choro compulsivo e as vezes sem o menor motivo, mas aí uma coisa vai ligando a outra, e todos aqueles momentos que a gente não se permitiu chorar por que se julga forte demais pra isso perdem o sentido e a gente desaba. Tipo agora. Aí a gente fica tentando arrumar um motivo, uma distração pra parar de chorar ou se entrega de vez e acha coisa pra se afundar mais ainda. Eu faço os dois. Me jogo, me afundo na pior fossa que pode existir, por que eu sei que um momento desses de deixar o choro correr pode demorar acontecer de novo, e depois eu procuro algo que me disperse e me prenda pra que eu pare de chorar, me distraia e daí sim, eu possa sentir o alivio que o choro desesperado pode trazer. Aí eu começo a escrever. Funciona, sabe. Funcionou agora, por exemplo.

Sabe,

eu tenho uma duvida sobre o destino que talvez eu nunca obtenha uma resposta satisfatória: Por que ele arremeça as pessoas no nosso caminho? O destino não deveria ser aquela coisa que já é determinada, já ta escrito e traçado? Pra que essas mudanças repentinas? Essas pessoas difíceis, as vezes impossíveis, PRECISAM mesmo passar pelo caminho, cruzar ele como quem atravessa a rua e sair na primeira oportunidade? Só deveriam passar pelas nossas vidas as pessoas que realmente devem ficar. Principalmente quando nos fazem bem. Mas aquele bem que a gente sente só de ver sorrir. Seria menos complicado, visto que o destino já prega cada peça na gente... Já é uma imensa crueldade dele nos fazer lidar com o amor não correspondido ou ainda com aqueles amores que não são exatamente o que a gente imaginava. Agora... Não faz o menor sentido jogar as pessoas no meio da nossa vida por acaso e desistir delas. Então deixa de fora, lá de longe... Eu ia olhar e nem ia ligar: não faria parte do meu mundo. Agora é tarde.
"Quando vejo, estou calada novamente, ouvindo o que você não diz e vendo o que você não faz." Tati Bernardi.

“Se você tivesse chegado antes,

eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.” - Verônica H.

Tenho sonhado contigo

e cada vez mais fica difícil acordar e perceber que não te tenho ali, do meu lado. Cada vez que eu desperto tento dormir de novo pra ver se o sonho começa de onde parou, como se fosse um filme de nós dois, pra poder te ter por perto um pouco mais, ouvir tua respiração calma enquanto dorme, sentir teu cheiro e principalmente poder estar nos teus braços como se eu pudesse te ter pelo resto da vida só pra mim. Acordar anda sendo torturante. Eu quero saber qual o gosto isso tudo tem fora dos meus sonhos. Preciso saber se realmente é tão doce quanto parece e parar de passar minhas noites insones fingindo que eu to dormindo pra poder pensar em ti, sem me culpar por acordar e não te ali.

Nunca existiu nós dois.

Eu imaginei, você fingiu... só. Mas parecia tão real, e eu sentia tanto que confundi tudo e senti por nós dois. Quem dera você realmente me amasse como dizia... Na verdade você nunca disse que me amava, eu que imaginava em todas as lacunas do tempo que a gente passava juntos que naquele momento, aquele espaço vazio e aquele silencio poderiam ser preenchidos por isso. E aí, como eu nunca tive esses espaços vagos preenchidos, guardei pra mim todo esse amor, esperando o momento de ele se tornar recíproco.

Não aconteceu.

Mas eu não te culpo. É realmente difícil ser amado. É um calculo imperfeito, nunca tem resultado, nada do que a gente faça é satisfatório e a gente ta sempre cansado, né? Alguém sempre ama mais e isso realmente é cansativo. Ter que ser feliz, ter que acordar com o bom dia mais entusiasmado do mundo só por ter dormido ao seu lado, estar feliz só de ficar com você, ficar em silencio pra ouvir a tua respiração e te olhar só porque você parece a coisa mais incrível do mundo, mesmo de mau-humor...

É muito difícil ser amado. Eu te entendo. Quer dizer, eu entendo que deve ser difícil, porque você não me deu a oportunidade de viver isso, dessa forma, junto com você. Mas eu vivi por nós dois e, embora não tenha tido a oportunidade de dizer, eu te amei. Uma pena que você, do auto da sua perfeição, não me permitiu dizer isso em voz alta.

O silencio permanece, caso você queira ouvir.

Para não sofrer eu vou me drogar de outros,

eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

Tati Bernardi

Parágrafo ÚNICO

Eu que reclamei aqui de medo de não ter tempo. Pois bem, tenho tempo de sobra agora, mas não posso fazer nada com ele, a não ser esperar ele passar, e ele faz isso do jeito que quer. Corre e fica lento na mesma velocidade, no mesmo tempo. Passa voando e se arrasta quase junto. Não dá nem pra distinguir quase quando corre, quando voa, quando arrasta, quando trava e quando para de vez. E ele para às vezes – quando trava é barbadinha, me viro. O pior é quando ele para... tipo agora. Uma hora falta muito, muito, muito pra eu ir embora e começar logo esse tratamento, outra é pra já, pra ontem, tchau. Daí já fico sem saber nada. Eu já não sei mesmo muita coisa, mas sei que tem situações diferentes por aqui que, dependendo do ângulo, são mais complicadas, mais delicadas, menos sérias. De todas as formas. A gente sabe cada história que deixa a esperança lá em cima: se essa pessoa passou por tudo isso e tá aí, por que eu não passaria pelo que tenho que passar? Só que ao mesmo tempo a gente VÊ o que acontece por aqui. Qualquer doença é ruim, desde uma dor de cabeça a um câncer. É um incomodo, desconforto e bla bla bla. A gente só não pode tentar entender quais são os critérios que levam o destino, a vida, Deus, ou seja lá o que determina aquela pessoa ter que passar por uma situação assim. Não tem explicação plausível o suficiente pra conseguir traduzir ou decifrar por que alguém merece sofrer dessa forma, pra sei lá, aprender alguma coisa. O que eu vejo por aqui com quem eu conversei até agora é que ninguém procura entender, as pessoas querem se ver livre do medo e da sombra da doença que desde a descoberta até o final do tratamento acaba com o paciente. É assustador em alguns casos, mas ao mesmo tempo é incrível a força que a gente arruma pra não se abater com o que se ouve falar e principalmente com o que se sente – por que se sente demais... não físico, comigo pelo menos, mas fica tudo confuso. Eu sei que eu ainda não passei nada perto do que esta por vir, sei muito pouco ainda do que eu tenho, mas o veredito esta dado: vou sim passar por quimioterapia, vou ficar careca, minha imunidade vai baixar e eu sei que eu não vou segurar sempre assim, mas enquanto eu puder não lidar tão fundo com tudo isso, isso sempre vai ser minha primeira opção. Não lidar é, pra mim, a melhor saída. Me ocupo pensando em qualquer outra bobagem e no quanto ainda assim poderia ser pior, no quanto as coisas estão se encaminhando bem, dentro do que é possível dizer que se esta bem. Eu sinto que eu ainda tenho bastante pra suportar, tenho gente que vai suportar e ir junto. Obviamente que se eu pudesse escolher, nem queria ver quem eu gosto sofrendo comigo, e isso que me deixa exatamente do jeito que eu to: não deixar o que me atinge atingir da mesma forma quem ta em volta. Mas é muito bom sentir que as pessoas querem te ver melhor, dizendo uma coisa, torcendo, mesmo que superficialmente, pela tua recuperação. Isso é muito, muito massa. De verdade. Eu sei quando é sincero, sei quando é curiosidade, sei quando é preocupação e principalmente quando é especulação. Eu sinto tuuuuuuudo isso, mas finjo que não percebo. Faz parte. Eu fico lendo histórias pela internet de gente que passou por um tratamento assim, sem nem deixar as pessoas à volta notarem que estava passando por isso. INCRIVEL!!!!!! E é aí que me refiro: não quero que isso mude tudo na minha vida. Quero passar logo logo e deixar isso registrado aqui. Parágrafo único sobre. O máximo que eu quero escrever sobre isso é isso. Claro que eu vou sentir tanta coisa que inevitavelmente eu vou falar sobre o que eu to sentindo, como sempre escrevi aqui... mas aqui só dez por cento é verdade, não posso me dar o luxo de mudar tanto. Fato é que isso que eu to passando e o que ainda esta por vir mexem com as emoções, com o sentimento, com o amadurecimento... e deve ser aí o ponto alto da experiência. De tudo, tudo, tudo a gente precisa tirar um proveito, pra encarar as coisas melhores, e eu pretendo tirar o autoconhecimento. Não queria ter essa história exatamente pra contar pros meus netos, bisnetos e o caralho a quatro. Mas não terei só essa, certamente. Então preciso de algum fato bom disso tudo... não?

Conhecer o seu limite e entender que nem por que se sabe onde é, se permite ir até ele.

Olha:

Eu nunca vou me importar em contar o que se passa comigo. Acho que ninguém nunca percebeu isso. Só não me sinto a vontade em passar BOLETIM de ATENDIMENTO pras pessoas. Se eu quero saber alguma coisa de alguém, VOU ATÉ ELA PERGUNTAR. Comigo funciona assim. Não tenho pombos correios pra espalhar noticias muito menos canal de mídia pra divulgar. Se interessa, me pergunta. Se eu sentir sinceridade não vejo o menor problema em contar o que se passa comigo. A minha vida toda foi assim, só faltaram pessoas interessadas em saber, ou faltou assunto pra isso. Isso serve pros meus amigos que não vem me perguntar o que acontece e perguntam pra outras pessoas e pra quem quer só bisbilhotar e ta cagando pro que acontece, mas precisa de assunto no busão.

Nem sei o que eu to sentindo,

só sei que eu to sentindo. Muito. Isso também não é novidade. Não sei ser superficial com o que eu sinto. Tem que ser tudo agora, pra já, forte, intenso. Sempre foi assim, mas eu sempre lidei muito bem, até porque nem todo mundo é assim, as pessoas gostam de viver na superfície e não nos extremos... pra mim tem que tocar no fundo, tem que me mover, me fazer ficar afim de sentir e sentir tanto a ponto de querer parar de sentir. Se não, nem quero, passa batido e eu nem ligo. Agora eu to sentindo tanta coisa, tudo misturado, que eu fico mais confusa que o normal. Não sei o que pensar nem de quem pensar. Só sei que eu to no extremo. To no fundo. Auto conhecimento da porra esse. Forçado, válido. Nem sei ainda o que eu vou passar, como vai ser nem o que me espera, mas eu sei que tem muita coisa me esperando. O melhor de tudo é SENTIR que o que bate em mim, reflete em volta e que TEM gente que sente comigo porque QUER, porque atinge também. Isso NÃO TEM PREÇO. De verdade. E eu preciso de mais. Muito mais. Mas eu não preciso pedir. Eu não preciso lembrar, eu não preciso nem contar. Eu sei quem ta junto, quem ta perto, quem ta comigo mesmo com a distancia. LOUCO isso. Mas é lindo. LINDO.Continuem por que eu ainda preciso.

:’)

A vida meio que tira uma onda com a nossa cara.

Sabe quando da tudo tão certo e depois quando dá tudo tão errado que a gente até desconfia??? Uma sacanagem atrás da outra. Eu acho que o mais honesto que a vida poderia fazer seria uma alegria compensar o sofrimento de uma dor. Fazer com que a cada tristeza, tivéssemos uma alegria. Compensar o mal com o bem. Obviamente que isso também teria seu lado ruim: toda vez que acontecesse algo bom, a gente saberia que algo ruim estaria por vir, na sequencia, sem tempo pra se preparar. Ninguém quer tristeza, ninguém quer dor. Por mais que a gente saiba que tudo tem uma solução, a gente quer viver soltando balões, jogando confete, mesmo sabendo que isso nunca vai corresponder a realidade. Eu sei também que as coisas ruins fortalecem laços e tornam as pessoas mais fortes... eu diria até que define as pessoas. Só que esse sistema de ter tudo duma vez só me deixa muito desconfiada e apreensiva: o que é ruim parece que nunca vai acabar, e o que é bom parece mentira. Sou exigente? Nessas horas eu lembro da frase mais batida do mundo, mas que tem o maior significado também: “TUDO VAI PASSAR”; tudo de ruim um dia passa e as coisas melhoram, mas coisas boas também acabam e a gente precisa aproveitar muito. Significa, né?
você pode não entender se as vezes fio pelos cantos
um tanto quieta, recolhida, mergulhada no meu pranto
é que ele me libera na hora
no momento em que eu boto pra fora
o que já não me serve vai embora
e assim eu fico leve
pitty - água contida

Canção Pra Não Voltar



Canção Pra Não Voltar
A Banda Mais Bonita da Cidade
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste e morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver, pra quem não sabe amar
Não volte pra casa, meu amor, que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo, acabou o seu mar, acabou seu dia
Acabou, acabou
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que eu não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada
Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol


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Pra ouvir e pensar; Cantar e sofrer.

o que a gente aprende com o destino?

Fico em duvida se, desta vez, o destino foi mais cruel ou se foi mais irônico em relação a nós dois. Nos manteve perto um do outro tempo suficiente pra que, quando você estivesse por perto, eu ficasse atrapalhada, sem palavras e ao mesmo tempo com as palavras erradas, tentando não parecer o que estava obvio no jeito que eu te olhava. Nem sempre eu consegui ser resistente o bastante para não deixar isso tão exposto; eu sei todos os momentos que tu percebeu. Não poderia ser tão palpável, tão real. Eu sentia muito, e sentia além do que pretendia, mas aceitava toda a ficção da história que eu creie. Além de ser algo pouco provável de acontecer, eu fantasiava demais qualquer tipo de relação que pudéssemos ter. Tomei todo cuidado necessário pra não deixar esse sentimento confuso sair da minha imaginação e interferir naquele ambiente perturbado que nos encontrávamos. Todo contato me deixava em dúvida... Nunca sabia se era o momento de deixar ser percebida, ou se deveria mais uma vez fingir que não te vi, passar por ti e ignorar tua figura ali, diante dos meus olhos e deixando meu coração palpitando. Era muita coisa pra eu lidar e não tenho a mesma frieza que você. Eu imaginava, sentia, fantasiava mas não acreditava. Não existia um elo, além do que eu criei. Obviamente esses sentimentos eram alimentados e isso me deixava atônita, aflita: não conseguia entender se existia realmente uma reciprocidade ou se era vaidade tua. E é aí que o destino começou a se revelar: do alto das minhas duvidas, eu fiquei incapaz de analisar qualquer gesto que pudesse esclarecer alguma coisa. A tua presença deixou de ser algo que me deixasse fantasiosa e passou a ser perturbadora, eu queria mas não conseguia ter uma relação de amizade sentindo tanto quanto eu sentia e antes que eu tivesse essa oportunidade o destino resolveu te tirar da minha rotina, dos meus olhos. Resolver essa questão me deixava tão ocupada que eu nunca pude perceber os sinais que recebia, e o destino acabou com todas as minhas duvidas deixando essa história sem um final (mais uma vez). Eu sei que essa foi a melhor saída, mas quando que a gente conhece o final das histórias de (quase) amor? Onde e quando a gente aprende com elas? Se ficam todas as duvidas com a gente, onde é que a gente busca as respostas?

Eu nem sei onde te (re)encontrar.

Tempo.

De todas as inúmeras coisas que eu tenho medo (que são verdadeiras bobagens), a que mais prende meu pensamento é o tempo: eu tenho medo que não dê tempo. Não de tempo de ir a algum lugar no dia marcado, que não dê tempo de comer algo que eu quero, que não dê tempo de ver uma pessoa que eu goste e estou com saudades, de não dar tempo de chegar na hora certa à aula, que não de tempo de executar o que eu tanto planejo. Eu não sei explicar exatamente do que é esse medo de não dar tempo, já até pensei se seria o caso de ter medo da morte talvez - o que explicaria não dar tempo de fazer alguma coisa – aquela velha máxima de que a vida é curta. Mas não é, não é o medo de acabar tudo de uma hora para outra. O medo é o tempo acabar e eu não ter feito o que eu tanto queria. Medo de não fazer o que me deixa bem, me deixa feliz e dá sentido pra que eu exista e insista em mim, que me faz seguir. Medo de não me realizar. Isso é o que mais me assombra. Os outros medos eu lido muito bem: todos têm solução. Esse não. Nesse caso eu até posso dizer que tenho medo de morrer, mas é um caso bem específico: tenho medo de morrer antes que dê tempo para eu me tornar uma pessoa completamente realizada.

Feita de Papel - Megh Stock

Sempre preciso de mais
Essa coisa não tem fim
Pra quem não encontra a paz
Como eu que nunca admiti ser fraca
E não consigo ir para casa
Mesmo quando estou cansada

Nunca digo a verdade aliás
Sei que o meu discurso já não cola mais
Chega uma hora em que pra mim tanto faz
Então só penso em correr atrás
Porque pouco já não satisfaz

http://letras.terra.com.br/luxuria/944959/

Se eu parar pra analisar

alguns aspectos da minha vida eu vou, mais uma vez, concluir que eu vivo uma eterna batalha contra mim mesma. Isso porque eu sempre quero ir um passo além de onde eu impus meu limite... avançar e avançar. Acho isso bom porque é como se eu sempre superasse meus objetivos: ultrapasso o que eu achei que fosse impossível. Aliás, isso é positivo até o momento que eu ultrapasso a linha do “avanço” e, sem escalas, paro na obsessão... fico obsessivamente querendo buscar o que eu acho impossível e querendo passar por onde eu sei que não dá; não que eu não possa passar por que é impossível ou inacessível, não poderia porque de alguma forma eu vou me agredir com isso. E assim começa a luta... eu sei que vai ser penoso, mas não consigo admitir fraqueza, sabendo que eu posso demonstrar caso queira, porque essa fraqueza já é muito além do que o que outra pessoa suportaria. Em tudo eu preciso me provar que eu consigo ir além do que o que eu determinei que fosse o limite, mesmo bradando que eu nunca preciso provar nada pra ninguém. O mais curioso disso, é eu não consigo me enxergar agindo com a mesma clareza na qual eu vejo isso, pra consegui mudar essa postura megalomaníaca que eu resolvi ter, por tanto tempo.

Só que eu acho que, definitivamente, eu cansei de conseguir suportar tudo.

"De vez em quando a gente tem que reconhecer que o mundo fica chato. Que as coisas ficam sem graça. Que fica tudo um saco mesmo. Porque a gente cresce o tempo inteiro com essa história de que os melhores estão sempre alegres e não se abalam com as adversidades da vida. Resignam-se, suportam tudo. Que as pessoas admiráveis não choram e não sofrem de melancolia. “Você é forte!” eles dizem. “Mas olha, como ela é guerreira!”. Todos querem ser de rocha, mas até os guerreiros surtam um dia. E que se foda. Que a gente se permita surtar, para então não enlouquecer”

"Bom mesmo

"Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia pois o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante." (Charles Chaplin)

E tem uma voz na minha cabeça que fala sem parar: "Todo mundo tem um limite. Se passa dele tu vira uma mentira. E aí?... assume teu limite. Não é tão ruim assim." Mas, curiosamente, eu não quero cala-la.

agridoce

Em plena madrugada o frio, um filme, o edredom e ele e o assunto fica arriscado. Comentou-me sobre seus antigos amores, e me pediu que falasse dos meus. Parei e pensei... não lembrei de um amor. Lembrei de inúmeras paixões, casos e romances, mas no âmbito amor deixei a desejar. Foi triste perceber que, enquanto ele fala dos seus amores, todos doces como nos filmes, eu tinha apenas paixões para comentar... Mas eu tinha algo a meu favor: ninguém havia despertado o meu amor, ele poderia se quisesse e conseguisse, por que estaria acostumado a viver dessa forma. Fiquei confusa, por um momento: com tantos amores que ele teve, por que estava sozinho? E por que, escolheu a mim, que não sei amar direito, pra tentar de novo... Ele, vendo minha confusão instantânea responde, sem que a ele eu tenha perguntado: cansou-se de amores doces e infinitos, queria algo que fosse intenso e que parecesse que a qualquer momento poderia acabar mesmo sabendo que poderia não ter um fim.

Pela primeira vez na minha vida

eu preciso admitir com toda a sinceridade que eu consigo carregar e todo teor de drama que eu consigo criar – e que não foge a realidade: ta tudo errado. Tudo. Mas ta errado porque eu faço as escolhas erradas. Escolho o momento errado de cuidar de mim, o momento errado de gastar, o momento errado de engolir o orgulho e continuar e o momento errado de deixar o orgulho me atropelar e me esmagar. Tenho uma grande aptidão em tomar pequenas, porém decisivas, atitudes erradas. Tudo na vida é uma reação em cadeia: o todo afeta tudo, o tudo afeta o todo. Nada tem pouca ligação com nada. Preciso cuidar de mim na hora certa: agora. Preciso pôr prática decisões que havia tomado antes e organizar o pequeno e turbulento caos que eu consegui instalar na minha vida. Só preciso descobrir por onde começar... No auge do meu drama eu até cogito a possibilidade alguém ter posto meu nome da boca do sapo, na encruzilhada ou sei lá o que, só pra tirar esse peso de mim, mas eu sei: a culpa é toda minha. Em poucos meses eu baguncei tudo na minha vida e consegui ficar, desesperadamente, sem porto algum. Não sei nem por onde começar, porque eu tenho um grande problema com isso: eu gosto de viver nesse caos e estou, da pior forma que eu conseguiria encontrar, aprendendo a lidar com isso.

Congrats, Grazielle.

Eu sei

que a gente não deve julgar ninguém pela aparência, nunca. É preconceituoso e a idéia quase sempre é erronia. A primeira imagem é sempre bem distorcida. Sou mestre nessa arte. Vejo a imagem, conceituo conforme eu acho que deve ser e CHAZAN... dou com os burros n’água: a pessoa sempre é melhor do que o que eu IMAGINAVA. A gente cria muita expectativa quando faz algo novo ou quando conhece pessoas novas e se frustra quase sempre. É quase impossível atender as nossas expectativas. Não as outras pessoas atendê-las, mas a gente mesmo atender isso. A gente cria uma expectativa de conhecer gente inteligente... como a gente, que gostas das mesmas coisas que a gente e costume ir nos mesmos lugares. Se vista da mesma forma e pense da mesma forma, goste das mesmas comidas, ouça as mesmas músicas... que seja quase a gente. E, é obvio, se frustra. Elas são completamente elas, e esperam que nós sejamos como elas. Ciclicamente. Isso acontece comigo sempre. Eu sempre imagino como vai ser antes de ser e decreto que seja daquela forma, que nunca vai ser. Daí, chega lá e... pronto: aprende a respeitar as diferenças, as individualidades, as chatices, as mesmices, os clichês, os legais e os iguais. Aceita e entende as pessoas que agregam. Quem não dá pra criar amizade, cuido pra não criar inimizades. A velha política da boa vizinhança, que sempre dá certo. Não consigo entender gente que, por não ser igual, ou por ter uma aparência diferente, se acha superior. Acho isso completamente BURRO e IGNORANTE. Todo mundo agrega, em algum momento, em alguma coisa, nem que seja uma vírgula numa linha. Pensar que alguém goste de ser separatista e radical ao ponto de só querer por perto os que são iguais me faz entender porque existe tanta gente solitária no mundo.