RE: desculpas

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Eu até acho ótima a ideia de tu se achar um babaca, e concordo com isso. Tu foi um idiota, sabe disso. O minimo é se aceitar como tal. Mas desculpas não funcionam muito bem. Embora não pareça - e eu treino isso constantemente - ainda tenho sentimentos, e esses são sensíveis a maus tratos e distratos. Não preciso de pedidos de desculpas. Desculpas são falsas. Não as tuas. Pedir desculpas em geral. Coisa de gente que não tem firmeza nas suas escolhas: erra e pensa na hora errada, então resolve desculpar-se. Obviamente que todo mundo erra, e nem todos pedem desculpas. Apesar de achar isso extremamente digno, ainda assim acho que desculpas valem de nada: o que tá magoado tá magoado, o que foi dito foi dito. A proposta de esquecer o que aconteceu foi no minimo curiosa (parei de ler seu email exatamente ali): Depois de pedir desculpas, e eu as aceitar EU preciso esquecer o que aconteceu, pra que EU consiga levar adiante nosso relacionamento que deu uma breve empacada naquela briga, onde EU fiquei magoadinha, e EU quis terminar. Me senti levemente culpada por tudo. Quem sabe você não esquece o que fez? É! Me sentiria menos culpada por algo que eu não fiz. Na verdade tu sempre teve esse poder de me fazer sentir culpada pelo que acontecia com a gente. Sempre levei o relacionamento da melhor maneira que eu pude, mas nunca foi da forma com que tu queria. E justamente por isso me sentia tão culpada, pois embora fosse o meu melhor, não era o teu melhor. E o teu melhor tá muito além de mim. Tu é infinitamente melhor que eu em tudo, e principalmente no nosso relacionamento. Tu era a parte positiva, e eu a negativa. Tu conseguia equilibrar isso, mesmo com tanta gente colocando empecilhos pelas nossas diferenças. Esse sempre foi o motivo por que todo dia eu me apaixonava por ti: tu era o meu melhor. Parabéns por conseguir fazer isso acabar. Me sinto quase liberta disso. Uma pessoa ruim e amarga de novo. O lado negativo de novo. Embora eu te ame, não aceito teu pedido de desculpas. Talvez o que tu tenha dito ontem que fez com que nós brigássemos, estava certo. Tu realmente facilita as coisas pra mim. Mas... Só não foi dito da maneira certa. E além do mais tem certa duvidas que a gente não expõe. A gente guarda pra descobrir que estava enganado. Esse é o mistério que tem que ter (e que tinha até ontem) no nosso relacionamento. Tu perdeu a oportunidade de continuar tendo poder sobre mim, e eu perdi a oportunidade de ser melhor. Nós dois perdemos. Eu tenho poder sobre mim novamente. Não sei se te desculpo por isso.

Eu realmente acho que as pessoas devam ter senso critico,

ter opiniões concisas sobre os assuntos que lhe parecerem interessantes. Acho que as pessoas tem que apontar os erros, pra que não fiquem invisíveis e passem desapercebidos e assim, nunca tornando-se acertos, ou quase acertos. Só que eu acho deveras chato uma pessoas que não sabe a hora de parar: reclamam de tudo, apontam todos os defeitos possíveis e não acham solução alguma para seus problemas. Ora, a ideia de apontar um erro e um problema, na minha opinião é JUSTAMENTE acertar isso, mudar ou arrumar uma solução. Conheço muita gente que reclama de tudo, e eu sinceramente não entendo. Tudo bem que eu tenho "mania" de apontar o lado bom das coisas, ou eu não vejo todas as coisas ruins como se fossem o fim do mundo. Eu até concordo que certas coisas definitivamente não tem solução, mas o que menos ajuda e ficar se lamentando e morrer abraçado nessa ideia. Sou chata nesse ponto (nesse?). Não suporto pessoas choramingando perto de mim, porque isso não dá certo, porque aquilo é ruim, porque ele não me quer. FODA-SE. Sou a favor de que, se não deu certo, não tem conserto, não tem solução, não tem saída... esquece! Vira a página, ergue a cabeça, ou simplesmente ACEITA. Não aceitar e não buscar a solução é inaceitável. Agora concordar com isso e não fazer nada para mudar é rídiculo. É coisa de gente pequena. E eu detesto gente pequena.

freeze without an answer, free from all the shame

Acreditava que havia posto o fim. Não pensava, não lembrava, não queria. Foi difícil o fim, realmente. Precisou fugir de si mesmo, esconder-se da sua própria vida e criar uma nova e, exatamente por isso, acreditava no fim que havia dado. Involuntariamente criou essa nova vida. Mudou de cidade, de amigos, mudou as roupas e até mesmo o jeito de sentar, porque sempre lembrava dele em pé, com um copo de cerveja e vestindo a camisa do seu time olhando para ela; sempre dissera que admirava-a tanto, que até mesmo seu jeito de sentar o fazia cada vez mais apaixonado. Foi um jeito meio estranho de por um ponto final na própria história, mas foi o jeito que ela encontrou de não se afundar naquela lama que havia virado o seu relacionamento. Ou melhor, a lama que virou a sua vida após o fim do seu relacionamento. Percebeu que não havia superado o fim. Percebeu que acreditava que não pensava porque fugia sem notar de qualquer objeto, qualquer lugar que lembrasse ele. Ficou em duvida se sentia alguma coisa quando resolveu conversar sobre o que havia feito ela chegar até onde estava. Lentamente toda aquela certeza de não pensar, não lembrar e não querer foi se transformando em um ponto de interrogação e quando questionada se não sentia ficou sem palavras. Não sabia responder porque, afinal, nunca se permitira se quer lembrar. E quando achou que já poderia dizer que superou.. engasgou; essa pergunta roubou o chão dos seus pés. Não demonstrou. Criou prontamente uma resposta inteligente e gritou-a como se acreditasse. Mas tal atitude lhe deixou mais confusa ainda: Como pode alguém tão certa de suas atitudes e de seus (des)amores não saber responder se não sentia mais nada, quando acreditava veementemente no fim que pusera? Repentinamente tudo lhe pareceu claro e obvio: essa história precisava de um fim, apesar do ponto final de colocara. Histórias tem finais felizes, não somente pontos finais. Seu ego passou a atormentá-la. Ora, como poderia narrar uma história da qual desconhecia o final?! Procurou-o depois de anos, e a surpresa foi inevitalvel: descobriu que mesmo depois deste tempo todo não tivera uma só noite em que não pensava onde ela estava e o que fizera. Passou uma semana com ele, só pra que lembrasse do quanto era apaixonado e tudo que faria por ela. Resolveu fugir novamente, mas sabendo que poderia voltar a qualquer momento e fazer aquele fim quantas vezes quisesse. Era o final que precisava. Acreditou, então: sentia, queria mas não precisava. Ela não seria ela se não fizesse isso.

Eu queria pedir duas desculpas:

Uma pra todas as pessoas que a minha vida inteira eu esqueci de desejar parabéns do dia do aniversário. Eu não ligo se alguma de vocês esqueceu o meu, de verdade. Pra mim é uma data em que eu fico mais velha. Só. Se pra vocês tem outro significado, sorry, but i don’t understand.

E o outro pedido de desculpa é pra todas as pessoas que eu conheço e passaram (ou passam) por mim eu pareço não conhecer. Quando eu to andando eu penso em duas coisas: Na musica que provavelmente eu estou ouvido e ligando ela a algum fato da minha vida. Ou eu estou pensando qual das minhas contas vai ser esquecida propositadamente este mês.

Desculpa aí. Vou prestar mais atenção em mim.

Não quero que pareça um discurso interesseiro ou fútil,

muito menos desdém. Não tenho nenhum tipo de convívio ou de parentesco com essa pessoa, não sei o que acontece do portão da casa dela pra dentro, nem me interessa saber, na verdade. Mas eu duvido muito que uma pessoa como ela esteja confortável (veja bem, CON-FOR-TA-VEL) com a sua vida. Eu não me sentiria tendo sei lá, 19 anos e ter sido casada com um cara que tem o dobro da minha idade, sem estudo, sem futuro, num emprego onde o máximo que ele conseguiria chegar era no balcão da padaria. Mas ele tinha um carro. Razoável para um cara medíocre como ele, ranzinza e que achava que o asfalto da minha rua é uma das pistas de tarumã, e que meus vizinhos e eu éramos obrigados à ouvir as tentativas de musicas a todo volume no domingo pela manhã, porque exagerava tanto que nem as caixas de som do carro dele suportavam. Talvez ela tenha visto isso e por isso separou-se dele. Ela trabalhava numa loja. Razoável para alguém que se preocupava em ficar em casa cuidando do conto de fadas que ela tentava transformar a vida dela cada vez que num aniversario a gente trocava duas palavras e sustentando a mãe. Aí ela foi demitida, se separou do cara. Aí ela se envolveu com outro cara. Também o dobro da idade dela, três filhos de mulheres diferentes e com um carro que só acende um dos faróis, todo rebocado. Dia desses até reparei que o carro tem uma roda mais alta que a outra.
O que eu questiono não é de forma alguma o tamanho (ou o conteúdo) do bolso. O que eu não consigo entender é: porque uma pessoa se sujeita a ser um nada e parecer feliz. Ser MEDIOCRE, e não fazer nada visível para mudar. Foda-se o que o cara tem, mas o que a gente atrai é só o nosso reflexo. Eu me sinto ridícula por trabalhar para me sustentar e não conseguir pagar uma faculdade, e uma pessoa termina o ensino médio e acha que a vida ta pronta? Que realidade tão escrota é essa na porta da minha casa que é tão diferente da minha?
Sentir-se confortável como eu citei não é arrumar um cara bonito com dinheiro e um carro razoável. É seguir e ser seguida por pessoas que queiram evoluir SEMPRE, que aceitem a sua mediocridade mas que façam algo pra mudar isso, e que não se acomode em ser o que se é e ter que se tem. E não achar que um cara que paga três pensões e anda numa banheira é motivo pra arrotar file.
Talvez ninguém alcance meu ponto de vista.
"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho."

Apesar

de me considerar feliz com as coisas que tenho, eu não estou feliz com minhas ultimas escolhas. Hora de descer da escada e zerar o cronometro pra iniciar tudo de novo, e quantas vezes forem necessárias pra eu poder dizer de peito estufado que sim, eu SOU feliz.
A vida é cíclica. Preciso encarar isso de uma forma mais natural. Pessoas entram e saem da nossa vida o tempo todo.

Inegavelmente eu sou diferente de tudo a minha volta.

Diferente das pessoas com as quais eu convivo, dos gostos, dos pensamentos. E pode não parecer, mas eu tento me adaptar. Tento ser flexível, tão flexível ao ponto de desistir em alguns momentos de mim. Ser o que esperam que eu seja: igual.
Não sei o quanto vale a pena me adaptar e ME deixar de lado pra poder fazer parte de tudo.
Eu sou uma pessoa individualista, solitária e egocêntrica. Essa coisa de mudar meu mundo não deveria, em hipótese alguma, parecer uma escolha minha. Mas EU sei que é uma escolha (errada, diga-se de passagem).
Vou parecer uma imbecil dizendo isso, mas eu me sinto sozinha. E essa impressão não tem a ver com as pessoas que me cercam, e sim com as atitudes que eu tomo. Tentar me adaptar me transforma numa pessoa estranha, no meio de todo mundo, e quando resolvo tirar a fantasia o resultado é sempre o mesmo: ninguém divide os mesmos gostos.
Portando, hora de sair dessa festa a fantasia.
O que determina um novo começo, é a imposição do fim.
Fim.
Começo a me refazer novamente.
Começar de novo, de novo, e quantas vezes necessárias forem pra eu me sentir feliz, sozinha ou não.

sobre relações superficiais.

Sou a favor delas. Não são falsas, só não são profundas. E a profundidade que eu me refiro não tem absolutamente nada a ver com verdade, tem a ver com simplesmente não envolver-se a ponto de misturar as histórias e a vida com outra pessoa. Superficialidade, no meu caso refere-se muito mais a não expor o que eu sinto, como eu sinto. E sim como é aceitável aos ouvidos das pessoas. Na verdade é que eu sou uma ótima ouvinte, gosto de ouvir as pessoas contarem das suas histórias, dos seus pensamentos e dos seus “achismos”, só não gosto de intervir nisso: opinar e narrar minhas histórias. Eu conheço muito bem elas, e não gosto, nem tenho interesse em opiniões alheias sobre isso. Por isso prefiro a superficialidade, meu melhor conselho é sempre onde eu digo o que a pessoa espera ouvir. Não quero me interar do – na maioria dos casos – problema de outra pessoa e ajudar a resolvê-los: tenho problemas próprios, às vezes nem tão grande, nem tão complexos, mas cada um dá ao problema o tamanho da atenção que quer receber.
Resolvo os meus.
E por causa dessa forma de ver as coisas, acabo pagando por isso. A gente sempre vai pagar por escolher o que é obviamente mais fácil.
Me sinto muito mais a vontade em falar meus problemas aqui. Tu pode até opinar, mas não tem a mínima idéia da dimensão da coisa, e eu não saberei da tua opinião sobre.
Como eu disse: a gente dá o tamanho que quer para os problemas e eu não estou disposta à me aprofundar num problema pequeno. Seria quase como mergulhar numa piscina rasa.

abre aspas

Esta bem, eu admito.
Todas essas acusações são verdadeiras. Eu tentei disfarçar - e por muito tempo eu consegui. Mas confesso que foi fácil: em todos os momentos eu não precisei do que me foi dado. Logo não senti a falta, nem remorso por rejeitar. Dessa vez não teve como evitar: era tudo que eu não queria no momento em que eu mais precisava.
Não sei se por ironia, descuido, azar ou era o momento. Pudera, não ficaria tanto tempo renegando o que me é dado. Só não consegui entender se a intenção com que foi dado foi a mesma com que foi recebido.
Dessa vez eu sou completamente culpada; concordo e assumo: falhei na minha incrível arte de não me apaixonar. Percebi de onde vem a teoria de ser do coração que saem os sentimentos: o peito dói de imaginar em decepcionar.
Eu, piegas. Quem diria.
Bem, também não é tão difícil assim, vocês que me assustaram. Inventaram mil teorias sobre amores perfeitos, decepções e blábláblás. Me fizeram sofrer por antecipação, e o pior: acreditar que eu só saberia quando estaria amando de verdade quando sofresse por esse amor. Que teoria ridícula. Esse é a diferença entre a gente. Enquanto vocês precisam sofrer pra entender (ou achar) que amam, eu preciso ser preenchida, estufada de qualquer coisa que me faça sentir bem.
Como isso ainda não havia acontecido, rejeitava o que me preenchia pela metade - não sei ser quase alguma coisa. Quase conseguir, quase ter, quase amar.
E, justamente por isso, falhei.
Enquanto exercia isso, ele preparava tudo pra fazer com que eu falhasse. Nunca imaginei, nunca pensei que justamente isso me faria falhar.
Quer dizer, não sei se falhei. Talvez esteja me precipitando em admitir, e o pior.. confessar. Não fui completamente preenchida. Não acreditei completamente nisso ainda. Talvez esteja quase lá.
Droga, falhei de novo.
Fecha aspas.

Musica pra mim

é bem mais significativa do que pra grande maioria das pessoas que eu conheço e convivo. O que me faz parecer na maioria das vezes um et. Eu não sei explicar porque, nem quando surgiu, nem se é normal. Só sei que musica me faz um bem, que eu não sei nem explicar. Eu levo a sério. Não tenho essa coisa de ser livre de preconceitos: o que eu acho ruim eu acho ruim e ponto final. E quando eu gosto, gosto de verdade. Gosto a ponto de em um show, chorar só por estar ali. Querer acompanhar a vida dos músicos, querer fazer parte, homenagear. Quando eu gosto ou sou tiete, e não me envergonho, não. Ta bem, na verdade fui apenas uma vez, e fui muito fã. Me desdobrava pra ir aos shows – que sempre foi uma dificuldade. Mas ia e me emocionava. E, o fato de eu levar tudo isso tão à serio como mencionei no inicio fez com que eu deixasse essa tietagem, essa paixão e, porque não, essa obsessão que eu tinha por uma banda de lado. Não deixei de gostar, nem de admirar. Só deixei de ver com os olhos que eu via. E o principal motivo foi não ver a novidade neles que eu via antes. Passar à ir em shows e enxergar a mesma roupagem das musicas, as mesmas musicas, a mesma banda. AOS MEUS OLHOS a mesma banda. Sem crescimento, sem evolução. Tem gente que não concorda – a maioria dos fãs, mas pra mim era uma banda que tava vivendo de passado. Vivendo do que já produziu, do que já cantou, DO QUE JÁ SENTIU. Quatro anos sem lançar um cd pra mim é um período inaceitável. Uma banda que não produz mais, que vive do que já fez não tem porque existir: aquilo ali todo mundo já conhece. Eu espero dar com a língua nos dentes, e me contrariar mais uma vez. Ver que, mesmo com esse período de ‘escassez a banda ainda é de verdade. Eu nunca neguei que mudo de ideia fácil, e gostar tanto assim de novo da banda não é difícil: eu só preciso ver que é de verdade ainda. Que eles acreditam tanto naquilo quanto eu já acreditei e tanto quanto os fãs acreditam. Criar, mostrar que esse amor que eles recebem é recíproco. E a única forma de demonstrar que o amor é recíproco e não deixando ele morrer. Eu vejo uma nova fase agora: Cd de inéditas sendo gravadas, as musicas com a cara da banda, tentando voltar à ser o que era. Só não pode tentar imitar o que já foi. Talvez – TALVEZ – eu nunca mais veja da forma que eu os via, e continue acompanho tudo de fora. Por vários motivos, mas o principal e que eu olhei de fora, e de fora perde toda a graça. E agora eu não sei mais como é o outro lado.
Viu como eu levo a musica a serio?

Duas coisas simples: um balão e um pouco de ar.

Se você não soprar demais, ele não estoura, ah não ser que você force isso. E se não souber segurar, ele voa porque é leve. Se você soprar demais ele, aí sim ele estoura e espalha todo ar que com um pouco de esforço você colocou nele.
Talvez essa seja uma metáfora bem representativa sobre sentimentos e razão. O balão é a racionalidade, e o ar a passionalidade. Uma proporção bem desigual, mas muito favorável. Fato é que só não é evidente o “ar” desse balão, porque a gente não enxerga ele, só o balão que costuma ser em cores vibrantes. A gente sabe que o balão esta cheio, mas nem lembra que o que tem dentro é… ar. Ele parece ter aquela forma, ter sido feito daquela forma, e não desenhado pelo tanto de oxigênio que tem lá dentro. E nesse caso, como ainda não teve ar suficiente para estourar, ele ficou preso.
A emoção dentro da razão.
O balão é uma metáfora perfeita.
Desde sempre, pelo que me lembro, sou forçada a ouvir teses sobre minha suposta falta de alguma coisa relacionada à amor. Talvez essa seja uma explicação bem razoável.

Era uma coisa bem estranha,

só de pensar aquilo estufava, enchia de uma sensação diferente de tudo que tinha sentido. Era uma mistura de vontade de rir, vontade de chorar, preocupação e uma saudade instantânea. Arrepiava e ao mesmo tempo deixava flutuando. De repente um nervosismo, uma vontade louca de sumir e uma vermelhidão. Toda vez era isso, esse mix de sensações. Algo que por mais detalhista que fosse, nunca conseguiria descrever. Todos os romances que tivera, não chegaram à metade dessas sensações, eram tão superficiais perto desse. E esses sentimentos eram tão freqüentes que se tornaram um vicio. Precisava sentir aquilo, precisava viver aquilo. Tomar uma dose desse vício que nem se quer uma explicação tinha. No inicio era controlável, doses homeopáticas na hora de dormir, ou quando ouvia uma musica que a lembrasse dele. Depois era quase uma religião, precisava daquilo. Não, uma religião não, uma obsessão. Passava noites e claro vasculhando cada canto virtual da vida dele, odiava cada palavra de carinho que ele escrevia para outras pessoas, e interpretava todas elas como se fosse para ela. Apesar de ser louco, de ser platônico, e de ser patético, era de verdade. Era nobre e era sincero. Toda a raiva e toda a angustia girava em torno daquilo. Aquilo era realmente uma droga, uma obsessão compulsiva por uma projeção de coisas voláteis. Conhecia a família, por onde andavam, quais viajens planejavam, conhecia os amigos, as histórias. E isso tudo sem nunca ter visto nenhum deles, e nem ele. Na verdade ela nunca se quer trocou uma palavra com ele. Ele era simplesmente o que ela sempre soube que precisava: os gostos, o romantismo dosado, o sotaque e o olhar caído. Há quem diga que foi o maior de todos os amores – reais e irreais. Se é que se pode chamar de irreal isso. Por muito tempo conseguiu manter essa coisa, como descrevia, em silêncio. Mas aos poucos as mudanças de humor típicas de quem esta apaixonada foram ficando cada vez mais visíveis, ao ponto de levantar suspeitas. Mas ninguém conseguia identificar o que acontecia. Quando resolveu falar recebia em troca o silencio e logo após a sentença quase que unânime: tu ama o que? Esse amor não existe. E isso a destruía. Como pode não existir? Era a obsessão mais doce, mais sincera e mais viciante que tivera. E arriscava dizer ainda, que era o amor mais verdadeiro: o que não espera receber absolutamente nada em troca … até porque é um amor de ida sem volta- ele não tem idéia da existência dela e quatro estados os separavam. Ela na condição de corte, e ele de reino. Resolveu tratar essa obsessão com uma receita simples: um email, uma passagem de avião e uma vontade imensa de destruir o imaginário e tornar tudo real. Apesar de saber que aquilo era i impossível, ainda existia nela a esperança de que da mesma forma com que descobriu esse sentimento, ele sentisse a mesma tremedeira, o coração disparar, a vermelhidão e aquela coisa estufando o peito. Não custava acreditar que o impossível pudesse tornar-se realidade. E, pelo que ela havia descoberto sobre ele nas noites insones que vasculhava sua vida na internet, isso era o que mais lhe atraia em alguém. Tem como duvidar de um sentimento desses?

olha...

eu até que sou uma pessoa beeeem legal. Eu me disponho a fazer coisa contra a minha vontade (raras as vezes) pra ser legal com outra pessoa. o problema começa onde termina minha bondade e começa a má vontade alheia. má vontade no caso de admitir que foi sim um gesto legal, e que se não fosse tu talvez aquilo ali nem aconteceria, gratidão é uma palavra muito forte pra isso, mas é bem ilustrativo pra essa(s) situações. eu nem ia comentar, porque eu, diferentemente da pessoa em questão, não costumo pegar o chapéu de tudo que as pessoas falam por aí. tudo é motivo pra ter uma arriada, pra tentar mostrar o quão melhor que todo mundo é, porque é mais inteligente, tem mais personalidade, os amigos mais legais do mundo. coisa chata ter que ficar se afirmando por aí, e o pior: se afirmando só pela internet, porque no teti-a-teti é um rato de tão manso, PORQUE PRECISA SER ASSIM. e não é nem uma questão de falsidade, é uma questão de falta de personalidade mesmo. de ser um rato em tempo integral e querer parecer um leão. na verdade é bem isso, parecer um leão enquanto se é um rato. é muito feio se assumir, né?
fico puta com essas arriadinhas, e não costumo responder assim... mas parece que quer atingir o tempo todo. que ridiiiiiiiiculo isso. o pior de tudo é que ME FAZ não poder dizer isso diretamente, porque não me dá essa oportunidade... fica vasculhando o que eu faço, que eu falo, pra depois pagar de leão e ficar rindo.
tenho nojo de pessoas assim.

Ontem eu tive uma crise, bem forte.

Só tem uma coisa que me deixa destruída da forma como eu fiquei ontem: meu ego.
E ontem ele resolveu se manifestar. Resolveu me lembrar como eu sou uma piada, uma mentira, uma blindagem falsa. Ele resolve se manifestar pra eu acordar, quando fico perambulando por aí de olhos fechados, sonhando. É como se viesse uma outra pessoa por o dedo na minha cara e apontar todas as minhas fraquezas, todos os meus desvios. E eu escuto, atentamente tudo, tudo que meu ego fala.
O resultado é único: apesar de ele apontar o dedo e dizer que eu sou uma mentira, eu me sinto cada vez mais de verdade. É bom, tirando o fato de eu parecer, na maioria das vezes 'tripolar', porque ontem eu tive o inside do nada, fiquei triste, chorona, mau-humorada, chata. E hoje e to bem, leve, blindada de novo.
A conclusão que eu chego toda vez que eu tenho essas crises é que eu sou blindada mesmo, e a unica pessoa que tem a capacidade de ultrapassar essa blindagem sou eu mesma, disfarçada de ego.

"conhecimento nao é sabedoria,

 sabedoria nao é amor, amor nao é música, música é o melhor" Frank Zappa

A verdade é uma só:

...eu exijo o impossível das pessoas.
Exijo que estejam perto de mim, e que me ouçam tanto quanto eu as escuto, e exijo que me deixem a vontade pra falar tudo que eu sentir, e pensar. Exijo que sejam boas companhias prum show, ou pruma tarde num shopping qualquer, ou numa praça, ou no quintal fazendo nada. Exijo que tenham humor, exijo que sejam criticas, que tenham personalidade e que se imponham, e não que sejam como a maioria.
Exijo que sejam únicas, na verdade nem precisa ter isso tudo que eu disse até agora, desde que sejam de verdade em tempo integral. E isso não é DIZER A VERDADE EM TEMPO INTEGRAL, porque isso também não seria SER de verdade.
É mentir, é dizer o que se pensa, mudar de idéia, mais errar do que acertar e não achar que é bom e que acerta all the time, não se preocupar no que vão pensar se tu for pra balada e não pegar ninguém, admitir ser quem é, e não tentar ser quem as pessoas pensam que é. É só ser de verdade, e não esperar ser como os legais são. Só.
Eu sou exijo demais, essa é a verdade.

Ela

Ela não aguentava mais. Tinha resistido por muito tempo, tentou de muitas formas e nada. Agora sentia-se cansada, impotente e um tanto quanto culpada diante da antiga constatação: a maioria dos seres humanos lhe eram incompreensíveis. Por vezes não lhes entendia a fala, o raciocínio, o jeito que levavam a vida. Para Ela, eles eram completos estranhos. Quando deparava-se com questões comuns e percebia que seus sentimentos e forma de encarar as coisas eram completamente distintas dos demais, sentia-se só. Devaneava a respeito de ter vindo de outro lugar, de pertencer a outra raça. Essa percepção lhe ocorrera havia muito, mas Ela não queria acreditar. Durante a maior parte de sua vida tentou reverter essa sensação. Observou atentamente como eles agiam, e passou a imitá-los. Não era difícil. Aprendeu tudo, e sorria na hora em que devia sorrir, dizia as coisas que deviam ser ditas, procurou comportar-se exatamente como eles para não chamar tanta atenção. Sabia a hora do comentário correto, sabia quando dizer “graças a deus”, mesmo não tendo certeza que deus era aquele. As normas de convivência que lhe foram passadas eram muito antigas e pertenciam àquele povo desde o começo dos tempos, e todos as seguiam sem titubear. Era assim, e pronto. Certa vez, cometeu o disparate de fazer perguntas. Diante da hostilidade e da surpresa alheia, Ela se calou. Teve medo. Medo de ficar sozinha, de ser banida, de estar errada, de ser julgada e condenada culpada por viver diferente. Sufocou a própria perplexidade e viveu assim durante um bom tempo. No fundo, sentia pena. Olhava para aquelas pessoas e os via tão pequenos, mergulhados em questões superficiais, tão mais preocupados com a aparência e a vida do próximo do que delas próprias. Achava que perdiam tempo. Sofria por vê-los tão ignorantes, sem curiosidade, sem vontade de aceitar ou buscar o novo, apáticos, admitindo cegamente tudo que lhes era imposto. Não entendia porquê julgavam-se uns aos outros tão ferozmente, sempre prontos a apontar o dedo ao mínimo indício de falha alheia e pior: na grande maioria das vezes falavam sem saber, simplesmente presumiam com base na parca bagagem que tinham. O mais estarrecedor de tudo é que pareciam idiotamente felizes. Tinham ambições comuns e eram formatados para isso: nascer, crescer, casar e procriar, buscar estabilidade financeira. Um belo carro, uma bela casa, um belo corpo. Os que alcançavam esses feitos eram considerados vencedores. E depois morriam, e outro deles nascia, e o ciclo continuava interminavelmente. Entre esses, alguns por vezes se mostraram mais evoluídos: apesar de toda a formatação que haviam sofrido foram mais a fundo, questionaram, e compreenderam a mediocridade humana. Esses escapavam. E Ela realmente acreditou que tivesse encontrado um jeito de viver entre eles. Até agora. De repente Ela se pegou andando pela casa, aflita, murcha. Sentia-se como uma bomba relógio prestes a explodir. Já estava impossível continuar fingindo, e aceitar aqueles pequenos humanos se tornou uma tarefa mais extenuante do que o normal. Era o limite. Mergulhou num enorme conflito: que direção seguir? Sim, estava tudo calmo porém muito sem-graça, Ela sentia-se sendo minada aos poucos e achava que a qualquer momento iria simplesmente se apagar. E Ela sabia que era fogueira demais pra se deixar virar fagulha. Decidiu abdicar da calma. Passou a buscar os seus iguais, e lentamente ao longo da estrada os foi encontrando, um a um. Nesse momento não eram muitos, mas eram os dEla. Aqueles ali a entendiam e partilhavam das mesmas convicções, viviam de forma parecida. Depois descobriu que nunca seriam tantos, não era pra ser assim. Existia a maioria, e existiam eles. Enfim, um pouco de paz. Continuou convivendo com aqueles humanos tão estranhos, mas reservou para si e para os seus as suas partes mais vivas porque necessitava ser compreendida. Fechou-se para a pequenez dos demais e assim conseguiu, de vez em quando, ser feliz.

Fonte: Boteco da Pitty.

o preço

Por você ser de verdade, ser você, vacilar, voltar atrás, mudar, dar a cara a tapa e não sentir culpa. Sair desse terreno seguro e pisar onde não tem ideia de qual será a estabilidade (e se terá)...
...é caro, mas é o preço de não ficar se escondendo de você mesmo, do mundo e buscando uma aprovação inutil.
É o preço de viver de verdade, e não de querer mostrar que se vive.

resumo.

Embora eu acredite e goste muito da versão real da história, essa fantasiosa me agrada muito mais. Nela, a versão real tá distorcida e os personagens com suas histórias trocadas: a mocinha que sofreu por amor calada e que lutou contra o sentimento pra não estragar o raso laço que tinha com o mocinho trocou de personagem com ele. Ele é que sentiu e ela nem percebeu isso. Ele é que queria, e ela nem notou. Embora eu acredite na versão real, a versão alternativa é bem mais atraente. Tá, na verdade é fantasiosa demais. Eu sei direitinho onde começou a espalhar essa versão da história, e mesmo assim fica a dúvida entre o que o autor escreveu, e o que uns leitores distraídos entenderam. E, mesmo assim rola um pingo de esperança que seja real mesmo. Porque não? Um descuido no que eu li, pode ter feito com que eu interpretasse da forma que me convinha: a mocinha é uma babaca, alimentou um troço que não existe, nunca existiu e acreditou nisso. Posso ter interpretado dessa forma por preguiça de ler as entrelinhas e de me aprofundar nos longos diálogos que os personagens tinham. Também, pudera. Alguém que quer sentimentalmente algo, e luta incessantemente contra isso, não se interessa nos próprios benefícios. E ela fazia isso por medo. Tem outra explicação? E além de tudo isso, no capítulo seguinte da história, ela fica tentando acreditar nessa versão alternativa que muita gente acreditou e encontrar alguma brecha na realidade, pra infiltrar a versão fantasiosa que alguém teve a genial ideia de inventar. Ás vezes eu acho que essa mocinha tem vida própria. Embora eu acredite e goste muito da versão real da história, essa fantasiosa me agrada muito mais