Quando os fogos começaram

eu tive o impulso de desejar que aquele momento durasse pra sempre. A tua mão na minha, segurando forte, os pés na água do mar, o sorriso, a alegria, os abraços e o desejo de que ficássemos desse jeito por muito, muito tempo; pedi que isso tudo durasse pra sempre. Não consegui desejar, pensar, querer, lembrar nada além disso. Freqüentemente, mesmo que sem os fogos, desejo em silencio, só pra mim enquanto te observo, que esse “nós” dure pra sempre, e se não for possível, que dure o máximo que nós conseguirmos alimentar. E se, ainda assim não for possível ou for tempo demais, eu tenho um pedido a fazer: Quero que, sempre que for segurar minha mão, seja daquela forma, com a mesma força, com o mesmo carinho, com o mesmo afeto e me passando a mesma segurança. Eu sei que, talvez pelo acaso ou pelo destino, esse sempre possa não ser eterno, então por favor, faça eu me sentir assim até o dia amanhecer.

welcome 2012

Só posso dizer que acabou,e que eu nunca vou esquecer esse ano. As cicatrizes no corpo e na alma não deixarão. Mas eu posso dizer que eu vi uma força que eu não fazia ideia de que existia, florescer, vi um monte de gente engrandecer, desaparecer e reaparecer na minha vida trazendo amor. Vi o medo aparecer em gente que eu amo, e a medida que ia aparecendo neles, ia sumindo em mim, e junto a isso uma garra que, sinceramente, eu não fazia ideia de que pudesse existir em uma só pessoa. Consegui reviver momentos e esquecer de tudo, me preparar pra aprender a viver o agora.... Nada mais importa tanto quanto o agora. Espero que esse ano novo me traga alegrias, na mesma proporção que o ano que passou me trouxe de aprendizado e, além disso tudo, eu espero que esse ano traga alegrias em dobro, pra todo mundo que permitiu que eu me tornasse forte.

Eu odeio isso.

Odeio isso porque foge totalmente do que eu posso segurar nas mãos ou que eu possa dizer chega. Não posso parar, não consigo parar e eu odeio isso. Não acho nem um pouco justo comigo saber tudo que eu posso de ti, tudo que tu gosta, as musicas que tu escuta e o que tá fazendo das tuas férias e tu simplesmente não saber absolutamente nada de mim. É ridículo eu relacionar qualquer música que eu ouça a alguma coisa que seria bom acontecer, mas que nunca vai acontecer, por que eu simplesmente não tenho a menor coragem de dizer o que eu sinto com palavras, na tua frente te olhando e percebendo tuas reações. Sei onde te encontrar, vou ao teu encontro, mas inacreditavelmente eu me prefiro me esconder e te observar de longe. Eu faço tudo errado quando o assunto é você, e acredite, eu sei exatamente como seria fazer o certo, mas... i can't do it. E é isso que eu mais odeio em toda essa estória nossa: estar tão vulnerável ao ponto de fazer tudo errado e ainda sorrir incansavelmente pensando em ti.

Sabe,

eu não gosto de praia. Eu sempre vou, mas nunca entro no mar. Fico sentada, na sombra, observando toda aquela imensidão e as pessoas indo até onde a sensatez permite, pra não se afogar. Eu prefiro realmente ficar ali sentada. Não sei molhar a ponta dos pés sem sentir vontade de mergulhar de cabeça e não sei medir até onde eu devo ir sensatamente. Eu preciso ir até onde eu posso e isso não é sensato o bastante pra quem nada muito pouco. Eu definitivamente não sei ver toda uma imensidão de possibilidades e ter que optar por ficar na beira delas só pra não me afogar. Melhor nem ir, então. Minha mãe sempre diz que eu sou boba de ir e não aproveitar o mar, mas eu realmente prefiro ficar de fora e observar o quão perto do fundo do mar as pessoas podem chegar e não chegam por precaução, por cautela ou por medo. Não sei ser assim. Não sei molhar os pés e ir embora, ir até onde a água bate no joelho e ficar satisfeito, deixar a água bater no peito e voltar para a areia. É angustiante estar ali, perto do fundo, perto de conseguir mergulhar, afundar, boiar, nadar e simplesmente voltar. Ou eu mergulho de cabeça ou eu nem molho os pés.

“Deus nunca dá uma dor maior do que a gente pode carregar”

foi a frase que eu mais escutei nesses últimos seis meses. Aliás, esses últimos seis meses foram surreais. Eu passei por todas as sensações físicas e psicológicas que eu nunca esperei passar. Senti amor de gente que eu nunca imaginei receber e consegui ver quem continuou atrás do bloco. Não existe coisa mais louca e mais boa do que conseguir enxergar tudo isso. Aliás, existe: saber que tem gente por ti, no momento em que tu realmente precisa – e como eu precisei. Eu nunca fui boa nessa coisa de demonstrar tudo que eu sinto, por que eu nunca aprendi na prática como se faz.

A primeira coisa que eu pensei, inevitavelmente foi “por que eu?”. Agora, eu consigo pensar: “por que NÃO eu?”. Aprender consigo mesmo e conhecer os verdadeiros limites, que eu digo, vão além do que se imagina, muito além. Aprender a viver cada dia, se preocupar com o hoje e admirar o que se consegue por esforço próprio, por amor, por amizade, por vontade de viver.

Eu conheci tanta gente, eu vi tanta coisa e eu experimentei tantas emoções que eu sinceramente não sei explicar. Não sei que força é essa que surge, não sei que medo é esse que some, não sei que vontade de virar o jogo é essa, só sei que acontece, e é incrível.

“40% vai ser medicação, 60% vai ser tu” meus 60% foram divididos por todo mundo que de alguma forma, qualquer forma, me ajudou, sabendo ou não do que tava acontecendo.

Agora é reta final e é ficar boa logo pra retribuir tudo isso. TUDO.

Quando eu tava entrando na adolescência

rolava um ritual quase que sagrado entre minhas amigas: toda saída que davam, deveriam ter pelo menos um nome de garoto beijado naquela noite para escrever nas suas famosas (e extensas) listas de ficadas. Não ter um nome novo era por um nariz de palhaço e agüentar risadinhas e eu, sempre agüentando essas risadinhas e as teses e questionamentos de porque eu sempre era a única a nunca ter um nome novo. Na verdade nunca me importei em sair e não beijar uma dúzia de desconhecidos, achava, bem no fundo e escondido pra mim, vulgaridade em demasia, libertinagem gratuita pra QUASE adolescentes que éramos. Possivelmente devido a não me enquadrar em nenhum padrão de beleza, já que sempre fui acima do peso, meu cabelo nunca foi liso e minhas bochechas são enormes, desenvolvi outras importâncias pra minha vida. Era (e ainda é) muito mais importante uma boa musica e uma boa companhia pra conversar e falar sobre tudo e nada, do que só uma boa boca pra beijar que eu nunca vi e talvez nunca mais queira ver. Minha vida sentimental sempre foi contraditoriamente bagunçada: seguidas paixões e poucos romances. Ainda que sendo pressionada pelo ritual sagrado das amigas, nunca me senti a vontade de sair por aí beijando qualquer um. Na verdade a gente entende, quando amadurece, que muito mais vale a qualidade que a quantidade. Vez ou outra, quando converso com as amigas dessa época, elas comentam “lembra do fulano que eu fiquei aquela vez?” e é obvio, eu não lembro. Não sei o quanto valeu a pena aquela “diversão toda”, mas a mim nunca fez falta. Talvez por estar fora dos padrões, eu me acostumei a não ter todas as opções que eu queria. A maioria dos meus romances foram desastrosos e eu sempre tive um “gosto” que não era compatível com a pirralhada que freqüentava os mesmos lugares que nós. Nessa idade que eu citei aqui, a gente sempre ta querendo provar alguma coisa pra alguém. No meu caso o primeiro beijo foi a síntese disso: só dei o beijo pra provar que eu podia, assim como foram a maioria dos casos da época que eu andava com essas amigas. E, mesmo tendo plena consciência de que era babaca essa atitude eu fazia, em uma freqüência bem menor do que a demanda de aprovações pela qual eu passa, é verdade, mas ainda assim fazia. Mas isso tudo me fez amadurecer melhor, e mais rápido do que a amigas que hoje tão casadas, embarangadas e levando suas incríveis vidas de donas de casa. Já diria o sábio: cada um tem o que merece.

Por favor, mente




hoje eu sou seu pra sempre
se eu perguntar
por favor mente
e fala tudo que você não sente
por favor mente
que a sua mão vai ser a minha luva
se a solidão é um dia de chuva
você vai me abrigar
sobre tudo, sobre todas as coisas
me ame até o fim da vida
mesmo que seja só até o dia chegar
depois talvez nem eu mesmo lembre
das juras eternas que a gente trocar
da cor preferida, ao nome dos filhos
e que eu já fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
eu já fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
um dia eu fui teu pra sempre
que eu já fui teu pra sempre
pra sempre...


Tom Bloch

Tava olhando umas fotos velhas,

lendo uns textos antigos e me conhecendo. Pra isso que serve um arquivo. Guardar o que eu penso ser pra mais tarde vasculhar e perceber que nem eu mesma me conheço. Ou lembrar o quão otária eu posso ser. Comigo, pelo menos, é assim. Sempre tive uma pose auto-suficiente quando de tratava de sentimentos, principalmente amor. Sabe aquele tipo que diz NÃO QUERO, com cara de quem não quer mesmo e pensando incansavelmente que quer? Prazer. Todo esse tempo eu posando de quem não tem máscaras com a máscara mais cara de pau da face da terra porque nunca pude sentir de volta todos os milhares de amores que eu tive. Lutava contra porque alimentar seria burrice. Platonismo demais pruma reles mortal. Agora que PODERIA ser um pouco mais real, a vida me fez insignificantemente igual a tudo que ele poderia ter e não quer. Me fez rotina, me fez um enfeite de canto, daqueles tão comuns que a gente só percebe quando vai limpar – quando lembra de limpar. Daqueles que cria pó de tão invisível que é. Isso é mais uma das incansáveis lições que a vida resolveu guardar pra mim. Ela deve pensar: ‘cê não é de pedra? Guenta esse amor de verdade, então’.

Fraquejar...

Esse sempre foi um dos meus medos bobos. Sei lá, não me sinto a vontade admitindo que eu perdi porque fui fraca, acho ninguém se sente, na verdade. Não me permito fracassar, nem me sentir fraca, fico insistindo naquela coisa que me faz sentir que eu to errando, que é mais forte que eu e que me feria fracassar até que isso não seja mais um obstáculo. Obsessivamente. Compulsivamente. As vezes eu me permito por pra fora isso, mas é sempre muito breve perto do tempo que eu passo lutando contra mim mesma. Eu sempre fiz isso, sempre agi assim e não consigo por um segundo se quer imaginar uma solução pra essas lutas ridículas que eu traço contra mim. Queria poder conseguir parar de me testar nesse ponto, mas acho que é impossível. Eu não me deixaria desistir de ver até onde eu posso chegar.

Nunca me senti a vontade

de chorar na frente de ninguém. Quando eu sinto algo que seja tão forte que me cause o choro, eu me sinto vulnerável demais. Nos últimos tempos eu andei chorando bastante- menos do que foi preciso – e na frente de várias pessoas e eu percebi a verdade de por que eu nunca gostei de chorar na frente de ninguém: Não tem nada a ver com se sentir vulnerável. A gente fica vulnerável pelo que causa o choro, tanto que causa o choro, e não por que se esta chorando. Tem a ver com sentir que quem me vê chorar fica sem reação, sem saber o que dizer, sem saber o que sentir, o que falar. A gente enfraquece a outra pessoa chorando. Por isso eu sempre preferi engolir o choro. Além de ser desgastante, dar dor de cabeça e deixar o rosto inchado, chorar desata tudo que tem de ruim em mim. Limpa tudo, mas a sensação de desespero de ter deixado tanta coisa ruim acumular e deixar sair tudo de uma vez é terrível. Parece que não acaba mais, que eu não vou parar nunca de lembrar de tudo que eu acumulei e não desabafei no momento que aconteceu. Mas passa, e depois eu fico melhor, como todo mundo. Todo mundo faz isso, não é? Quer dizer, agora, por exemplo... deve ter alguém com os olhos doendo, o nariz escorrendo, a cara inchada e uma dor de cabeça sacana, como eu, dando um jeito de liberar essa coisa ruim que a gente insiste em guardar pra depois sabe-se lá por que. É coisa de louco mesmo... guardar coisas ruins, acumular e esperar o momento pra desaguar isso tudo num choro compulsivo e as vezes sem o menor motivo, mas aí uma coisa vai ligando a outra, e todos aqueles momentos que a gente não se permitiu chorar por que se julga forte demais pra isso perdem o sentido e a gente desaba. Tipo agora. Aí a gente fica tentando arrumar um motivo, uma distração pra parar de chorar ou se entrega de vez e acha coisa pra se afundar mais ainda. Eu faço os dois. Me jogo, me afundo na pior fossa que pode existir, por que eu sei que um momento desses de deixar o choro correr pode demorar acontecer de novo, e depois eu procuro algo que me disperse e me prenda pra que eu pare de chorar, me distraia e daí sim, eu possa sentir o alivio que o choro desesperado pode trazer. Aí eu começo a escrever. Funciona, sabe. Funcionou agora, por exemplo.

Sabe,

eu tenho uma duvida sobre o destino que talvez eu nunca obtenha uma resposta satisfatória: Por que ele arremeça as pessoas no nosso caminho? O destino não deveria ser aquela coisa que já é determinada, já ta escrito e traçado? Pra que essas mudanças repentinas? Essas pessoas difíceis, as vezes impossíveis, PRECISAM mesmo passar pelo caminho, cruzar ele como quem atravessa a rua e sair na primeira oportunidade? Só deveriam passar pelas nossas vidas as pessoas que realmente devem ficar. Principalmente quando nos fazem bem. Mas aquele bem que a gente sente só de ver sorrir. Seria menos complicado, visto que o destino já prega cada peça na gente... Já é uma imensa crueldade dele nos fazer lidar com o amor não correspondido ou ainda com aqueles amores que não são exatamente o que a gente imaginava. Agora... Não faz o menor sentido jogar as pessoas no meio da nossa vida por acaso e desistir delas. Então deixa de fora, lá de longe... Eu ia olhar e nem ia ligar: não faria parte do meu mundo. Agora é tarde.
"Quando vejo, estou calada novamente, ouvindo o que você não diz e vendo o que você não faz." Tati Bernardi.

“Se você tivesse chegado antes,

eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.” - Verônica H.

Tenho sonhado contigo

e cada vez mais fica difícil acordar e perceber que não te tenho ali, do meu lado. Cada vez que eu desperto tento dormir de novo pra ver se o sonho começa de onde parou, como se fosse um filme de nós dois, pra poder te ter por perto um pouco mais, ouvir tua respiração calma enquanto dorme, sentir teu cheiro e principalmente poder estar nos teus braços como se eu pudesse te ter pelo resto da vida só pra mim. Acordar anda sendo torturante. Eu quero saber qual o gosto isso tudo tem fora dos meus sonhos. Preciso saber se realmente é tão doce quanto parece e parar de passar minhas noites insones fingindo que eu to dormindo pra poder pensar em ti, sem me culpar por acordar e não te ali.

Nunca existiu nós dois.

Eu imaginei, você fingiu... só. Mas parecia tão real, e eu sentia tanto que confundi tudo e senti por nós dois. Quem dera você realmente me amasse como dizia... Na verdade você nunca disse que me amava, eu que imaginava em todas as lacunas do tempo que a gente passava juntos que naquele momento, aquele espaço vazio e aquele silencio poderiam ser preenchidos por isso. E aí, como eu nunca tive esses espaços vagos preenchidos, guardei pra mim todo esse amor, esperando o momento de ele se tornar recíproco.

Não aconteceu.

Mas eu não te culpo. É realmente difícil ser amado. É um calculo imperfeito, nunca tem resultado, nada do que a gente faça é satisfatório e a gente ta sempre cansado, né? Alguém sempre ama mais e isso realmente é cansativo. Ter que ser feliz, ter que acordar com o bom dia mais entusiasmado do mundo só por ter dormido ao seu lado, estar feliz só de ficar com você, ficar em silencio pra ouvir a tua respiração e te olhar só porque você parece a coisa mais incrível do mundo, mesmo de mau-humor...

É muito difícil ser amado. Eu te entendo. Quer dizer, eu entendo que deve ser difícil, porque você não me deu a oportunidade de viver isso, dessa forma, junto com você. Mas eu vivi por nós dois e, embora não tenha tido a oportunidade de dizer, eu te amei. Uma pena que você, do auto da sua perfeição, não me permitiu dizer isso em voz alta.

O silencio permanece, caso você queira ouvir.

Para não sofrer eu vou me drogar de outros,

eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

Tati Bernardi

Parágrafo ÚNICO

Eu que reclamei aqui de medo de não ter tempo. Pois bem, tenho tempo de sobra agora, mas não posso fazer nada com ele, a não ser esperar ele passar, e ele faz isso do jeito que quer. Corre e fica lento na mesma velocidade, no mesmo tempo. Passa voando e se arrasta quase junto. Não dá nem pra distinguir quase quando corre, quando voa, quando arrasta, quando trava e quando para de vez. E ele para às vezes – quando trava é barbadinha, me viro. O pior é quando ele para... tipo agora. Uma hora falta muito, muito, muito pra eu ir embora e começar logo esse tratamento, outra é pra já, pra ontem, tchau. Daí já fico sem saber nada. Eu já não sei mesmo muita coisa, mas sei que tem situações diferentes por aqui que, dependendo do ângulo, são mais complicadas, mais delicadas, menos sérias. De todas as formas. A gente sabe cada história que deixa a esperança lá em cima: se essa pessoa passou por tudo isso e tá aí, por que eu não passaria pelo que tenho que passar? Só que ao mesmo tempo a gente VÊ o que acontece por aqui. Qualquer doença é ruim, desde uma dor de cabeça a um câncer. É um incomodo, desconforto e bla bla bla. A gente só não pode tentar entender quais são os critérios que levam o destino, a vida, Deus, ou seja lá o que determina aquela pessoa ter que passar por uma situação assim. Não tem explicação plausível o suficiente pra conseguir traduzir ou decifrar por que alguém merece sofrer dessa forma, pra sei lá, aprender alguma coisa. O que eu vejo por aqui com quem eu conversei até agora é que ninguém procura entender, as pessoas querem se ver livre do medo e da sombra da doença que desde a descoberta até o final do tratamento acaba com o paciente. É assustador em alguns casos, mas ao mesmo tempo é incrível a força que a gente arruma pra não se abater com o que se ouve falar e principalmente com o que se sente – por que se sente demais... não físico, comigo pelo menos, mas fica tudo confuso. Eu sei que eu ainda não passei nada perto do que esta por vir, sei muito pouco ainda do que eu tenho, mas o veredito esta dado: vou sim passar por quimioterapia, vou ficar careca, minha imunidade vai baixar e eu sei que eu não vou segurar sempre assim, mas enquanto eu puder não lidar tão fundo com tudo isso, isso sempre vai ser minha primeira opção. Não lidar é, pra mim, a melhor saída. Me ocupo pensando em qualquer outra bobagem e no quanto ainda assim poderia ser pior, no quanto as coisas estão se encaminhando bem, dentro do que é possível dizer que se esta bem. Eu sinto que eu ainda tenho bastante pra suportar, tenho gente que vai suportar e ir junto. Obviamente que se eu pudesse escolher, nem queria ver quem eu gosto sofrendo comigo, e isso que me deixa exatamente do jeito que eu to: não deixar o que me atinge atingir da mesma forma quem ta em volta. Mas é muito bom sentir que as pessoas querem te ver melhor, dizendo uma coisa, torcendo, mesmo que superficialmente, pela tua recuperação. Isso é muito, muito massa. De verdade. Eu sei quando é sincero, sei quando é curiosidade, sei quando é preocupação e principalmente quando é especulação. Eu sinto tuuuuuuudo isso, mas finjo que não percebo. Faz parte. Eu fico lendo histórias pela internet de gente que passou por um tratamento assim, sem nem deixar as pessoas à volta notarem que estava passando por isso. INCRIVEL!!!!!! E é aí que me refiro: não quero que isso mude tudo na minha vida. Quero passar logo logo e deixar isso registrado aqui. Parágrafo único sobre. O máximo que eu quero escrever sobre isso é isso. Claro que eu vou sentir tanta coisa que inevitavelmente eu vou falar sobre o que eu to sentindo, como sempre escrevi aqui... mas aqui só dez por cento é verdade, não posso me dar o luxo de mudar tanto. Fato é que isso que eu to passando e o que ainda esta por vir mexem com as emoções, com o sentimento, com o amadurecimento... e deve ser aí o ponto alto da experiência. De tudo, tudo, tudo a gente precisa tirar um proveito, pra encarar as coisas melhores, e eu pretendo tirar o autoconhecimento. Não queria ter essa história exatamente pra contar pros meus netos, bisnetos e o caralho a quatro. Mas não terei só essa, certamente. Então preciso de algum fato bom disso tudo... não?

Conhecer o seu limite e entender que nem por que se sabe onde é, se permite ir até ele.

Olha:

Eu nunca vou me importar em contar o que se passa comigo. Acho que ninguém nunca percebeu isso. Só não me sinto a vontade em passar BOLETIM de ATENDIMENTO pras pessoas. Se eu quero saber alguma coisa de alguém, VOU ATÉ ELA PERGUNTAR. Comigo funciona assim. Não tenho pombos correios pra espalhar noticias muito menos canal de mídia pra divulgar. Se interessa, me pergunta. Se eu sentir sinceridade não vejo o menor problema em contar o que se passa comigo. A minha vida toda foi assim, só faltaram pessoas interessadas em saber, ou faltou assunto pra isso. Isso serve pros meus amigos que não vem me perguntar o que acontece e perguntam pra outras pessoas e pra quem quer só bisbilhotar e ta cagando pro que acontece, mas precisa de assunto no busão.

Nem sei o que eu to sentindo,

só sei que eu to sentindo. Muito. Isso também não é novidade. Não sei ser superficial com o que eu sinto. Tem que ser tudo agora, pra já, forte, intenso. Sempre foi assim, mas eu sempre lidei muito bem, até porque nem todo mundo é assim, as pessoas gostam de viver na superfície e não nos extremos... pra mim tem que tocar no fundo, tem que me mover, me fazer ficar afim de sentir e sentir tanto a ponto de querer parar de sentir. Se não, nem quero, passa batido e eu nem ligo. Agora eu to sentindo tanta coisa, tudo misturado, que eu fico mais confusa que o normal. Não sei o que pensar nem de quem pensar. Só sei que eu to no extremo. To no fundo. Auto conhecimento da porra esse. Forçado, válido. Nem sei ainda o que eu vou passar, como vai ser nem o que me espera, mas eu sei que tem muita coisa me esperando. O melhor de tudo é SENTIR que o que bate em mim, reflete em volta e que TEM gente que sente comigo porque QUER, porque atinge também. Isso NÃO TEM PREÇO. De verdade. E eu preciso de mais. Muito mais. Mas eu não preciso pedir. Eu não preciso lembrar, eu não preciso nem contar. Eu sei quem ta junto, quem ta perto, quem ta comigo mesmo com a distancia. LOUCO isso. Mas é lindo. LINDO.Continuem por que eu ainda preciso.

:’)

A vida meio que tira uma onda com a nossa cara.

Sabe quando da tudo tão certo e depois quando dá tudo tão errado que a gente até desconfia??? Uma sacanagem atrás da outra. Eu acho que o mais honesto que a vida poderia fazer seria uma alegria compensar o sofrimento de uma dor. Fazer com que a cada tristeza, tivéssemos uma alegria. Compensar o mal com o bem. Obviamente que isso também teria seu lado ruim: toda vez que acontecesse algo bom, a gente saberia que algo ruim estaria por vir, na sequencia, sem tempo pra se preparar. Ninguém quer tristeza, ninguém quer dor. Por mais que a gente saiba que tudo tem uma solução, a gente quer viver soltando balões, jogando confete, mesmo sabendo que isso nunca vai corresponder a realidade. Eu sei também que as coisas ruins fortalecem laços e tornam as pessoas mais fortes... eu diria até que define as pessoas. Só que esse sistema de ter tudo duma vez só me deixa muito desconfiada e apreensiva: o que é ruim parece que nunca vai acabar, e o que é bom parece mentira. Sou exigente? Nessas horas eu lembro da frase mais batida do mundo, mas que tem o maior significado também: “TUDO VAI PASSAR”; tudo de ruim um dia passa e as coisas melhoram, mas coisas boas também acabam e a gente precisa aproveitar muito. Significa, né?
você pode não entender se as vezes fio pelos cantos
um tanto quieta, recolhida, mergulhada no meu pranto
é que ele me libera na hora
no momento em que eu boto pra fora
o que já não me serve vai embora
e assim eu fico leve
pitty - água contida

Canção Pra Não Voltar



Canção Pra Não Voltar
A Banda Mais Bonita da Cidade
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste e morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver, pra quem não sabe amar
Não volte pra casa, meu amor, que a casa é triste
Desde que você partiu aqui nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo, acabou o seu mar, acabou seu dia
Acabou, acabou
Não volte pra casa, meu amor, que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que eu não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada
Dó com baixo em dó
Sol com baixo em si
Lá com baixo em lá
Lá com baixo em sol
Fá com baixo em fá
Fá com baixo em fá sustenido
Sol com baixo em sol
Sol com lá bemol


--

Pra ouvir e pensar; Cantar e sofrer.